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TCE aponta superfaturamento na compra de kits de robótica feito pela Prefeitura de São Bento do Una

Levantamento resultou na suspensão imediata do contrato por meio de uma medida cautelar emitida pelo conselheiro Ranilson Ramos.

19 de junho de 2025 às 12:57   - Atualizado às 13:02

Prefeito de São Bento do Una, Alexandre Batité

Prefeito de São Bento do Una, Alexandre Batité Foto: Divulgação

Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) confirmou graves irregularidades em um contrato de quase R$ 3 milhões firmado pela Prefeitura de São Bento do Una para a compra de kits de robótica, apontando superfaturamento de 2.180%, direcionamento de licitação, e até pagamento por itens que nunca foram entregues.

A investigação foi iniciada a partir de uma denúncia do vereador Sidcley do Hospital (Republicanos), feita em novembro de 2024. O parlamentar suspeitou do contrato firmado pela gestão do prefeito Alexandre Batité (MDB) em pleno período eleitoral.

A denúncia resultou na suspensão imediata do contrato por meio de uma medida cautelar emitida pelo conselheiro Ranilson Ramos, acatada posteriormente pela 2ª Câmara do TCE-PE. Auditoria confirma denúncia e revela "forte conluio".

O relatório final da auditoria especial, divulgado no início de junho deste ano, confirma as denúncias de fraude e expõe um esquema de compra direcionada e uso indevido de verbas públicas. Segundo os auditores, o Termo de Referência da licitação foi redigido pela própria empresa vencedora do certame — prática ilegal que comprometeu a lisura do processo e eliminou a concorrência.

Segundo auditor do TCE-PE, a Prefeitura contratou itens dos kits de robótico pelo valor total de R$ 424 mil, enquanto a pesquisa de preços, realizada em sites especializados, concluiu que os mesmos itens poderiam ter sido adquiridos por R$ 18.589,00. Para agravar ainda mais a situação, os equipamentos adquiridos permaneciam encaixotados e sem qualquer uso nas escolas municipais quando a equipe técnica do Tribunal esteve na cidade em fevereiro de 2025.

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“Foi identificado um superfaturamento de R$ 405.411,00 nos itens dos kits de robótica, o que representa um ágio de 2180,92%”, afirma o auditor Ricardo Palmeira Tenório, no relatório.

A auditoria foi concluída no último dia 27 de maio. No relatório, Tenório responsabiliza a secretária municipal de Educação, Gisângella Cavalcante de Morais – “ao não realizar o Estudo Técnico Preliminar de forma correta, ocorreu uma licitação direcionada, com sobrepreço e superfaturamento”, segundo o texto.

Kits incompatíveis com a realidade das escolas

Outro ponto alarmante revelado pela auditoria foi a completa desconexão entre a compra milionária e a infraestrutura das escolas da rede municipal. As unidades de ensino, segundo o TCE-PE, não possuem sequer conectividade básica para operar os kits tecnológicos adquiridos. A ausência de estudos técnicos prévios também foi destacada no relatório como prova de má gestão e irresponsabilidade no uso de recursos públicos.

Responsabilização e possível ação judicial

Diante da comprovação das irregularidades, o TCE-PE determinou que a secretária de Educação do município, Gisangella Cavalcanti de Morais, devolva R$ 510.493,99 aos cofres públicos, além do pagamento de multa — cujo valor será definido nas próximas sessões do Tribunal. O prefeito Alexandre Batité também poderá ser multado.

O caso, que já provoca grande repercussão política na cidade, pode ter desdobramentos judiciais. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) estuda a abertura de ações de improbidade administrativa e processos penais contra os responsáveis.
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