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Tarcísio de Freitas irrita bolsonaristas após elogiar urna eletrônica e Justiça Eleitoral

Aliados interpretaram a postura do governador como uma estratégia de conveniência política, alternando discursos mais rígidos com gestos conciliatórios.

24 de março de 2025 às 09:47   - Atualizado às 09:47

Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foto: José Cruz/ Agência Brasil

As declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em defesa das urnas eletrônicas e da Justiça Eleitoral, aconteceu durante um evento no Tribunal de Justiça de São Paulo, na última quinta-feira, 20 de março, geraram descontentamento entre aliados bolsonaristas.

No fim de semana anterior, Tarcísio havia participado de um protesto no Rio de Janeiro em favor da anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro, manifestação convocada por Jair Bolsonaro (PL). No evento, criticou a inelegibilidade do ex-presidente, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Aliados de Bolsonaro interpretaram a postura do governador como uma estratégia de conveniência política, alternando discursos mais rígidos com gestos conciliatórios. Segundo relatos, após adotar um tom combativo em um momento, ele busca equilibrar com declarações em sentido contrário.

Durante a abertura do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), no Palácio da Justiça, Tarcísio elogiou o sistema eleitoral brasileiro.

O Brasil veio se tornando referência em termos de velocidade, de apuração, de tecnologia. Muitos países têm que olhar para o Brasil e ver o que está sendo feito aqui. O Brasil se tornou, de fato, uma grande referência”, afirmou, falando das urnas.

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O governador também destacou o papel da Justiça Eleitoral como "garantidora da democracia brasileira". O discurso gerou reações entre bolsonaristas, que esperavam que ele mencionasse pautas como o "voto auditável" e a impressão dos votos registrados, bandeiras defendidas por Bolsonaro.

Para um integrante da base bolsonarista na Assembleia Legislativa, a presença de Tarcísio no evento foi incoerente com suas críticas ao TSE pela inelegibilidade de Bolsonaro. Outro aliado questionou sua participação em um ato de deferência ao órgão que condenou o ex-presidente, de acordo com o Jornal de Brasília. 

Bolsonaro perdeu o direito de disputar eleições até 2030 após ser condenado pelo TSE por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão ocorreu após o ex-presidente espalhar desinformação sobre o processo eleitoral em reunião com embaixadores e utilizar eleitoralmente as comemorações do Bicentenário da Independência.

Tarcísio nega publicamente qualquer intenção de disputar a Presidência em 2026, reforçando que Bolsonaro será o candidato, mesmo impedido judicialmente. Entretanto, em conversas privadas, já admitiu que poderia aceitar a missão caso o ex-presidente pedisse. Seu nome, nos bastidores, circula entre lideranças de partidos de direita e do centrão.

A participação do governador no ato pró-anistia foi bem recebida pela base bolsonarista. No evento, ele fez críticas ao governo Lula (PT), atribuindo a alta da inflação à "irresponsabilidade fiscal" da atual gestão e mencionando escândalos de corrupção envolvendo o PT. O discurso ajudou a reforçar sua imagem entre apoiadores de Bolsonaro, em um momento em que o ex-presidente enfrenta novas investigações.

Na terça-feira (25), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgará se Bolsonaro se tornará réu por tentativa de golpe de Estado, dando sequência ao processo que pode resultar em sua condenação e eventual prisão.

Parlamentares bolsonaristas expressam frustração com os elogios de Tarcísio à Justiça Eleitoral, mas evitam críticas públicas. Em vez disso, planejam cobrar novas manifestações do governador sobre casos sensíveis à base bolsonarista, como o julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, acusada de invadir o STF e depredar a escultura "A Justiça". O ministro Alexandre de Moraes já votou para que sua pena seja de 14 anos, posição acompanhada pelo ministro Flávio Dino.

No ato de domingo no Rio, Tarcísio mencionou Débora em seu discurso: "O que eles fizeram? Usaram batom? Num país onde todo dia vemos traficante na rua, onde os caras que assaltaram a Petrobras voltaram à cena política. Está certo isso?", questionou.

Curiosamente, as redes sociais do governador não divulgaram seu discurso no evento do TJ-SP. Na última sexta-feira (21), entretanto, ele publicou dois vídeos em homenagem ao aniversário de Jair Bolsonaro, que completou 70 anos. O primeiro mostrava imagens dos dois juntos em eventos e discursos eleitorais, enquanto o segundo registrava o telefonema em que Tarcísio parabenizou o ex-presidente.

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