Melillo Dinis do Nascimento afirmou que a "desinformação pode ser atribuída a qualquer pessoa" e usou um exemplo envolvendo o próprio ministro, que é torcedor do Corinthians.
Ministro Alexandre de Moraes com caneca do Corinthians. Foto: Reprodução/ TV Justiça
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou um momento de descontração durante o julgamento do núcleo 4 da trama golpista, nesta terça-feira, 14 de outubro, ao fazer uma brincadeira sobre futebol com o advogado Melillo Dinis do Nascimento, que defende Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do movimento Voto Legal e um dos sete réus do grupo.
Durante sua sustentação oral, Melillo afirmou que a "desinformação pode ser atribuída a qualquer pessoa" e usou um exemplo envolvendo o próprio ministro.
"Mas aqui é necessário fazer um parênteses. Repito, é um momento histórico onde qualquer desinformação pode ser atribuída a qualquer pessoa, quer ver? Se eu disser que o ministro Alexandre de Moraes é torcedor do Palmeiras, isso não só é injusto, como acaba por trazer consequências quando ele for lá no Itaquerão", disse o advogado.
Moraes, conhecido torcedor do Corinthians, respondeu em tom bem-humorado:
"E para o senhor também. Consequências sérias."
O advogado entrou na brincadeira e completou:
"Claro, seríssimas."
Após o momento descontraído, Dinis retomou seu argumento, afirmando que "estamos em um ecossistema fundamentalista, polarizado, cristalizado em um mecanismo que não tem controle. E essa falta de controle não depende da produção ou não da informação".
O núcleo 4, composto majoritariamente por militares do Exército, é julgado pela Primeira Turma do STF. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo teria espalhado notícias falsas sobre o sistema eletrônico de votação.
Horas após ser alvo da Lei Magnitsky, uma das principais sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos, o ministro Alexandre de Moraes foi à Neo Química Arena assistir ao clássico entre Corinthians, seu time do coração, e Palmeiras, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, no dia 30 de julho.
Acompanhado da esposa, o ministro sorriu, acenou para o público e fez um gesto obsceno com o dedo médio.
Moraes chegou ao estádio localizado na zona leste de São Paulo acompanhado da esposa e, após ser interpelado por um interlocutor, respondeu "vai Corinthians".
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Em nota, o supremo informou que o ministro, "considerados os altos interesses institucionais", solicitou a redistribuição do caso para outro integrante do tribunal.
Durante o encontro, o presidente da Corte vai dar ciência aos demais membros do STF sobre o material entregue pela PF.
Com o entendimento formado pelos ministros, os políticos acusados de fazerem campanha com recursos não contabilizados poderão ser responsabilizados duplamente.
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