Apontado em investigações da PF e do FBI como um oficial de alta patente do serviço de inteligência militar da Rússia, Tcherkasov viveu durante anos sob a identidade falsa de Victor Muller Ferreira.
Sergey Vladimirovich Cherkasov. (Foto: Divulgação)
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prazo de 10 dias para informar o andamento do processo de extradição do espião russo Sergei Vladimirovitch Tcherkasov, preso no Brasil desde 2022.
Apontado em investigações da Polícia Federal (PF) e do Federal Bureau of Investigation (FBI) como um oficial de alta patente do serviço de inteligência militar da Rússia, Tcherkasov viveu durante anos sob a identidade falsa de Victor Muller Ferreira.
A decisão administrativa que determinou sua expulsão do Brasil foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 7 de julho. Em ofício datado de 10 de agosto e encaminhado ao Ministério da Justiça, Fux solicitou “informações acerca do andamento da entrega [de Tcherkasov] ao governo da Rússia”.
No documento, o ministro destacou que a decisão favorável à extradição já possui “extenso prazo desde o trânsito em julgado da demanda em 11.4.2023”.
Tcherkasov cumpre pena de cinco anos em um presídio federal de Brasília pelo crime de falsidade ideológica. Segundo as investigações, ele utilizava o nome de Victor Muller Ferreira, identidade que teria permitido a obtenção de documentos brasileiros, incluindo passaporte, título de eleitor, carteira de habilitação e certificado de reservista.
A expulsão do país, porém, só poderá ser efetivada após o cumprimento da pena imposta pela Justiça brasileira, salvo se houver autorização judicial para uma liberação antecipada.
Depois de ser retirado do território nacional, o russo também ficará impedido de retornar ao Brasil por 30 anos.
Segundo PF e FBI, Tcherkasov chegou ao Brasil em 2010 e utilizou o país como base para construir uma identidade aparentemente legítima. Posteriormente, teria usado essa identidade em missões de inteligência no exterior.
Apesar das suspeitas envolvendo sua atuação como agente de inteligência russo, as investigações não identificaram indícios de que Tcherkasov tenha realizado atividades de espionagem contra o Estado brasileiro. De acordo com as autoridades, seus possíveis alvos estavam nos Estados Unidos e em países europeus.
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O caso ganhou repercussão após surgirem informações sobre o encaminhamento de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade que possui ligação com a produtora responsável
Pessoas que estavam na região teriam percebido a situação e contido o suspeito até a chegada dos policiais militares.
Na avaliação do ministro do STF, o fortalecimento das instituições é o principal caminho para preservar a democracia brasileira.
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