O público em geral, sociedade civil, movimento sindical e lideranças comunitárias marcaram presença no evento.
24 de outubro de 2023 às 16:27
A privatização da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e a consequência para os recifenses foram assuntos debatidos na audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira 20 de outubro, no plenário, sob a iniciativa do vereador Rinaldo Junior (PSB). Leia Também: >>>PRIVATIZAÇÃO DA COMPESA: secretário da gestão RAQUEL LYRA diz que GOVERNO fará “debate amplo com a sociedade” para discutir tema
“A água é um bem universal e é essencial para a vida de todos os seres humanos. Todavia, com uma possível privatização, cabe questionar como seria o atendimento às populações mais carentes de nossa cidade”, justificou o parlamentar.
O público em geral, sociedade civil, movimento sindical e lideranças comunitárias marcaram presença no evento. De acordo com Rinaldo Junior, o intuito da audiência pública é fazer um debate amplo sobre o tema.
“Um debate de ideias respeitando as falas e daqui será formalizado um documento oficial com encaminhamentos que sejam valorosos e, principalmente, que estejam lado a lado com o povo recifense. A gente quer, sim, defender uma Compesa pública e eficiente para todos e todas”. Logo após a fala de Rinaldo Junior, um vídeo do Sindicato dos Urbanitários foi exibido explicando que a governo do Estado de Pernambuco pretende adotar o modelo de concessão. Segundo o Sindicato, “é um modelo de privatização disfarçada”.
José Holanda Cavalcante Júnior, presidente do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco, lembrou que a entidade completa 69 anos nesta sexta-feira 20 de outubro e lamentou órgãos que foram privatizados, como a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) e Celpe (Companhia de Eletricidade de Pernambuco, atual Neonergia).
“Hoje (20), esse Sindicato de tanta luta e tanta guerra completa, hoje, 69 anos. Nós cuidamos dos trabalhadores de empresas e a última empresa estatal é essa, a Compesa. A Celpe já foi privatizada e a Chesf já foi privatizada recentemente. Os funcionários estão tristes e com medo de trabalhar. Esse é o clima na Chesf hoje. Nós sabemos o tamanho das consequências do que isso originou para as contas de luz. A Compesa, infelizmente, vai sentir muito as consequências do que virá por aí. Não é à toa que grande parte do que foi privatizado mundo afora está sendo reestatizado porque não atendeu a qualidade e a expectativa que as sociedades tinham”.
O presidente do Sindicato enfatizou que quando um serviço não tem concorrência é motivo de atrair a iniciativa privada. Ele salientou que a grande mídia tem interesse na privatização.
“O objetivo é muito claro. A água não tem concorrência. E tudo o que não tem concorrência é atrativo para o capital ganhar dinheiro. Quem vive o dia a dia nessas empresas percebe o tamanho dos boicotes que são feitos para que passem uma imagem de ineficiência e incapacidade de gerir aquele bem. Se não fizer isso, não justifica a necessidade de buscar a privatização", ressaltou.
Para ele tais ações dificultam a prestação de serviços à sociedade, provocando uma imagem ruim da empresa, conforme é mostrado nos noticiários.
" A grande mídia está a favor da privatização porque ela está a favor, também, de grandes empresários que querem assumir essas empresas. Os governos estaduais não têm preocupação com a sociedade. Nós queremos uma Compesa pública e eficiente. Até a última gota de suor nós lutaremos”.
Representando a Compesa, o diretor regional Igor Galindo afirmou que "privatização" não é um tema em discussão na empresa. Segundo ele, o que é discutido pela Compesa é sobre a realização de concessões privadas.
"Não estamos tratando como vamos privatizar e nem quando. O Estado já entendeu isso e o presidente da Compesa já foi muito claro ao reiterar que essa questão não existe. O que precisamos debater é como podemos melhorar o saneamento no nosso Estado. Precisamos saber e trazer as questões do saneamento, que não se resume apenas aos quatro pilares: água, esgoto, águas pluviais e resíduos sólidos. O saneamento vai além disso, é sobre saúde pública, valorização imobiliária, turismo", disse.
De acordo com Igor Galindo, o Instituto Trata Brasil apresentou uma pesquisa sobre a universalização do saneamento.
"Ele pretende fazer o que está no novo Marco do Saneamento. O nosso ganho bruto seria de R$ 33 bilhões em ganhos líquidos, tirando os investimentos de R$ 18 bilhões, além da redução de custos com saúde pública de R$ 2,8 bilhões, porque as pessoas passam a adoecer menos em função dos problemas de saúde e, consequentemente, temos ganho em produtividade, pessoas mais felizes, competentes, e você tem um resultado melhor nas companhias. Pernambuco é um Estado muito peculiar pois temos a pior disponibilidade hídrica do Brasil. O Agreste é a pior área do nosso Estado. Coletar água e tratá-la em Pernambuco é muito caro. Isso precisa ser entendido, verificado e respeitado", afirmou.
Por sua vez, o dirigente do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb-PE), Wamberto Freitas, fez uma apresentação sobre "Mitos e verdades sobre a privatização da Compesa" e mostrou, por exemplo, a evolução do reajuste de tarifas da Celpe e Compesa de 2013 a 2023. Ele mencionou que países como Alemanha, França, Bolívia, privatizaram os serviços de água e esgoto e acabaram voltando atrás por não ter tido eficiência.
"É importante explicar que entregar a concessão pública para o privado é privatizar, sim. Esse ano teríamos esgoto universalizado porque, 12 anos atrás, a promessa foi justamente essa: a empresa pública não consegue fazer isso, então vamos entregar ao privado através de uma PPP. Entregamos, e o esgoto não está universalizado. Dizer que o privado faz melhor do que nós está errado. Hoje, o esgoto na Região Metropolitana do Recife é privado. Quem opera é uma empresa privada. Nós somos contra entregar o caixa da empresa à empresa privada, não somos contra parcerias", pontuou.
O deputado federal Pedro Campos (PSB/PE) parabenizou Rinaldo Junior pela iniciativa, ressaltou a importância de debater o assunto na Câmara Municipal do Recife e considerou que outros eventos semelhantes devem ocorrer em outras casas legislativas.
“É um exemplo que fica para as demais câmaras de vereadores do Estado de Pernambuco. A gente sabe que uma audiência pública aconteceu na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE), eu estive lá presente, mas acredito que esse exemplo daqui é um exemplo que deve ser replicado porque a câmara é muito próxima da população e tem a capacidade de dialogar sobre todos os desafios e sobre todos os problemas que podem advir da questão da privatização da Compesa. Então, acredito que é fundamental esse movimento”.
Pedro Campos disse que era preciso ter cuidado em relação ao processo de concessão, que é necessário o diálogo e defendeu a Compesa pública.
“Tem que fugir dessa história de que o privado é a melhor coisa do mundo. Quem está ali, na Companhia, conhece de saneamento. É preciso ter muito cuidado porque esse formato pensado e desenvolvido no governo do ex-presidente, Jair Bolsonaro, é um modelo que atrai muito os gestores de maneira geral por conta da outorga. E é fácil você chegar para um gestor municipal ou gestor estadual, que está apertado nas contas, alegar que quer fazer investimentos e sensibilizá-lo dizendo para fazer a concessão do saneamento. E o dinheiro da outorga vem do aumento da tarifa para o consumidor. Outorga é aumentar conta. Privatização e concessão, na maioria dos casos, vêm para aumentar a conta. Preocupa muito ver esse processo sem debater nada para uma agência reguladora. Tenho certeza de que eu e vocês, aqui, estamos juntos para defender uma Compesa pública, eficiente, que vai acessar recurso do Governo Federal e fará bom uso do recurso público. Uma Compesa que conhece, mais do que qualquer um, o desafio de enfrentar os problemas e resolvê-los”.
3
11:44, 07 Mar
28
°c
Fonte: OpenWeather
O pastor americano Jack Hibbs aponta passagens bíblicas que, segundo ele, estariam se cumprindo nos conflitos no Oriente Médio.
Segundo nota divulgada pelo STF, o conteúdo foi tornado público pela CPI do INSS, que recebeu o material por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.
Transferências feitas em 2025 ocorreram mesmo após contador ser alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo.
mais notícias
+