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Petrobras gasta R$ 4 milhões por dia com sonda parada no litoral do Amapá

O planejamento da estatal previa o uso do equipamento para o início dos testes de prospecção na chamada margem equatorial do Brasil.

Fernanda Diniz

22 de outubro de 2025 às 16:53   - Atualizado às 17:18

Petrobras

Petrobras Foto Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras alugou uma sonda altamente tecnológica de uma empresa internacional por R$ 4 milhões por dia. O valor é pago independentemente de o equipamento ser usado ou não, apenas para garantir que esteja à disposição da empresa.

A sonda foi colocada no litoral do Amapá, no meio de agosto, e desde então permanece parada, sem ser utilizada. O planejamento da Petrobras previa o uso do equipamento para o início dos testes de prospecção na chamada margem equatorial do Brasil, uma região que desperta interesse por supostamente abrigar reservas de petróleo.

A ideia seria descobrir o que existe na área: se há petróleo, se é de qualidade e em que quantidade. As expectativas incluem a possibilidade de que as reservas sejam até maiores do que as existentes na Guiana, país que já realiza exploração na mesma faixa geográfica.

Desde agosto, no entanto, a sonda segue estacionada, sem operação, aguardando ser utilizada. Enquanto isso, a Petrobras continua arcando com o custo diário de R$ 4 milhões, apenas para manter o equipamento disponível.
 

Petrobras recebe licença 

A Petrobras obteve a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial. A região, localizada no norte do país, é apontada como novo pré-sal devido ao seu potencial petrolífero.

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O Ibama fez o anúncio no começo da tarde desta segunda-feira, 20 de outubro.

De acordo com a Petrobras, a sonda exploratória se encontra na região do bloco FZA-M-059 e a perfuração está prevista para começar “imediatamente”. O poço fica em águas profundas do Amapá, a 175 quilômetros da costa e a 500 quilômetros da foz do rio Amazonas.

A perfuração dessa fase inicial tem duração estimada em cinco meses, segundo a companhia. Nesse período, a empresa busca obter mais informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica.

“Não há produção de petróleo nessa fase”, frisou a Petrobras no comunicado.

A autorização foi obtida cerca de dois meses depois da última fase do processo de licenciamento, a chamada avaliação pré-operacional (APO), que consiste em um simulado de situação de emergência e plano de reação, com atenção especial à fauna.

Promessa de segurança

A Petrobras informou que atendeu a todos os requisitos estabelecidos pelo Ibama – órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – cumprindo integralmente o processo de licenciamento ambiental.

A presidente da companhia, Magda Chambriard, classificou a obtenção da licença como “uma conquista da sociedade brasileira”.

“Revela o compromisso das instituições nacionais com o diálogo e com a viabilização de projetos que possam representar o desenvolvimento do país”, afirmou Chambriard no comunicado.

Ela lembrou que foram cinco anos de diálogo com governos e órgãos ambientais municipais, estaduais e federais até a licença. Chambriard considera que a estatal pôde comprovar “a robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente”.

“Vamos operar na Margem Equatorial com segurança, responsabilidade e qualidade técnica. Esperamos obter excelentes resultados nessa pesquisa e comprovar a existência de petróleo na porção brasileira dessa nova fronteira energética mundial”, completou.

Ibama

Por meio de nota, o Ibama informou que a emissão da licença ocorreu após “rigoroso processo de licenciamento ambiental”.

Esse processo contou com elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), três audiências públicas e 65 reuniões técnicas setoriais em mais de 20 municípios do Pará e do Amapá.

Também foram feitas vistorias em todas as estruturas de resposta à emergência e unidade marítima de perfuração, além da realização da APO, que envolveu mais de 400 pessoas.

Ainda de acordo com o órgão ambiental, após a negativa de 2023, foi iniciada uma “intensa discussão” com a Petrobras, que permitiu “significativo” aprimoramento substancial do projeto apresentado, especialmente em relação à estrutura de resposta a emergência.

Entre os avanços, o Ibama cita a construção e operacionalização de mais um centro de atendimento à fauna, no município de Oiapoque (AP), que se soma ao já existente em Belém.

O Ibama afirmou que as exigências adicionais foram fundamentais para a viabilização ambiental do empreendimento, considerando as características ambientais excepcionais da região da bacia da Foz do Amazonas.

O instituto antecipou que, durante a atividade de perfuração, será realizado novo exercício simulado de resposta a emergência, com foco nas estratégias de atendimento à fauna.

Agência Brasil

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