Padre Antônio Menezes se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) na sexta feira, 28 de novembro, em Xapuri (AC) FOTO: Instagram PT
A filiação do Padre Antônio Menezes ao Partido dos Trabalhadores (PT) e o anúncio de sua pré-candidatura a deputado estadual no Acre resultaram na suspensão de suas funções sacerdotais pela Diocese de Rio Branco. O bispo da diocese, Joaquín Pertíñez Fernández, comunicou a decisão em 29 de novembro de 2025, destacando que o afastamento segue as normas do Código de Direito Canônico.
Segundo a Diocese, a suspensão do uso de ordens de Padre Antônio Menezes tem caráter por tempo indeterminado. Ele está proibido de celebrar ou administrar sacramentos, incluindo missas, batismos, confissões e matrimônios, bem como de participar de qualquer ato religioso como presbítero. A única exceção permitida é o atendimento a fiéis em situação de perigo de morte.
Além disso, o sacerdote foi impedido de publicar conteúdo em redes sociais ou grupos ligados à Diocese com teor de campanha política. A medida foi motivada pela decisão de Padre Antônio Menezes de se filiar ao PT e colocar seu nome à disposição para as eleições de 2026, considerada incompatível com a atuação clerical.
A filiação do Padre Antônio Menezes ao PT ocorreu um dia antes do comunicado da Diocese. Em evento partidário, ele anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual, explicando que deseja atuar de forma mais direta em causas sociais e comunitárias, buscando representar a população no legislativo.
O padre ressaltou que sua decisão é consciente e motivada pelo desejo de contribuir com o bem comum, afirmando que procurou separar sua atividade política de suas funções religiosas.
O afastamento do sacerdote está fundamentado no Código de Direito Canônico, que proíbe clérigos de ocupar cargos públicos eletivos ou participar ativamente de partidos políticos sem autorização da autoridade eclesiástica. A medida visa preservar a neutralidade da Igreja e evitar que membros do clero sejam percebidos como participantes de disputas políticas.
O caso do Padre Antônio Menezes reacende o debate sobre a atuação de religiosos na política. Para alguns fiéis, a decisão da Igreja reforça a importância de separar atividades espirituais e civis. Para outros, a busca de representação política por um sacerdote demonstra engajamento social e preocupação com questões comunitárias.
Especialistas destacam que casos como este são delicados, pois envolvem a tensão entre normas tradicionais da Igreja e a necessidade de participação cidadã em contextos onde a presença religiosa é forte.
A situação do Padre Antônio Menezes ilustra o dilema enfrentado por religiosos que desejam transitar entre sua vocação espiritual e a atuação política, provocando reflexão sobre os limites da Igreja e a participação social dos clérigos.
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