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Opinião | O samba foi só o começo: o que o episódio revela sobre 2026 - Por Hugo Arcoverde

O samba terminou na avenida, mas a narrativa política apenas começou.

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20 de fevereiro de 2026 às 17:51   - Atualizado às 18:00

Hugo Arcoverde/ Estrategista Político

Hugo Arcoverde/ Estrategista Político Foto: Divulgação

O desfile passou. A polêmica ficou. E, mais do que discutir se houve ou não propaganda antecipada, o episódio revela algo maior: a eleição de 2026 já começou  não formalmente, mas simbolicamente.

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral de negar as liminares por ausência de pedido explícito de voto manteve a linha histórica de evitar censura prévia. Ao mesmo tempo, o alerta de que o indeferimento não é salvo-conduto mostra que o tribunal sabe que pisa em terreno sensível. A fronteira entre manifestação política legítima e propaganda antecipada nunca foi tão interpretativa.

Mas, politicamente, o efeito já foi produzido.

O episódio reforça uma estratégia que tende a dominar o cenário: campanhas sem cara de campanha. O marketing político contemporâneo não depende mais de comícios formais ou jingles oficiais. Ele trabalha com memória afetiva, símbolos, identidade cultural e ativação emocional. Quando um número, uma cor ou um refrão evocam um projeto político inteiro, o pedido explícito de voto se torna quase dispensável.

Isso muda o jogo.

O campo governista demonstra confiança ao ocupar espaços culturais e testar os limites da comunicação pré-eleitoral. A aposta parece clara: consolidar presença simbólica antes mesmo da formalização das candidaturas. Já a oposição tende a reagir em duas frentes  judicialização estratégica e narrativa de desigualdade institucional. Não é apenas uma disputa jurídica; é uma disputa de percepção pública.

O risco, no entanto, não está no samba. Está na imprevisibilidade.

Se cada caso depender excessivamente do contexto político do momento, instala-se a sensação de que a régua não é estável. E, em matéria eleitoral, previsibilidade é tão importante quanto liberdade. A democracia precisa de espaço para manifestação política, mas também precisa de critérios claros para evitar desequilíbrios reais.

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O cenário aponta para uma pré-campanha permanente, em que cultura, redes sociais e eventos públicos funcionam como palcos de posicionamento estratégico. A Justiça Eleitoral será chamada, cada vez mais, a arbitrar situações que não se encaixam perfeitamente nas categorias tradicionais de propaganda.

O que está em disputa agora não é apenas 2026.

É o modelo de campanha que o país vai consolidar daqui para frente.

Se o tribunal firmar critérios consistentes, o sistema amadurece. Se as decisões parecerem casuísticas, o debate se intensifica e a polarização se alimenta.

O samba terminou na avenida.
Mas a narrativa política apenas começou.

Hugo Arcoverde | Estrategista Político.

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