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MÚCIO afirma que 'questões IDEOLÓGICAS' do Governo LULA barraram negócios com ISRAEL

O ministro da Defesa se referiu ao grupo israelense Elbit Systems, que venceu em abril uma licitação para o fornecimento de 36 veículos blindados destinados à artilharia do Exército.

Ricardo Lélis

09 de outubro de 2024 às 17:22   - Atualizado às 17:42

Presidente Lula e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

Presidente Lula e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou na terça-feira, 8 de outubro, que "questões ideológicas" interferem nos negócios da pasta. A declaração foi dada em evento da Confederação Nacional de Indústria (CNI), que marcou a parceria entre a entidade e a pasta militar.

"Houve agora uma concorrência, uma licitação, e venceram os judeus, o povo de Israel. Mas, por questão da guerra, do Hamas, os grupos políticos, nós estamos com essa licitação pronta, mas por questões ideológicas nós não podemos aprovar", comentou o ministro.

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Apesar de não especificar o caso, Múcio provavelmente se referiu ao grupo israelense Elbit Systems, que venceu em abril uma licitação para o fornecimento de 36 veículos blindados destinados à artilharia do Exército.

O negócio, porém, ficou travado por pendências internas que impedem sua conclusão. Uma delas é a posição contrária de Celso Amorim, assessor-chefe de Assuntos Internacionais da Presidência da República.

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Críticos da compra argumentam que é incoerente o governo brasileiro adquirir equipamentos militares de Israel, cujas ações na Faixa de Gaza são criticadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e alegam que a compra dos obuseiros, por quase R$ 1 bilhão, poderia financiar os ataques israelenses aos palestinos.

Pelo critério técnico e de menor preço, a companhia de Israel venceu a licitação contra empresas de França, China e Eslováquia.

No último mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) respondeu a um questionamento do Ministério da Defesa afirmando que as leis brasileiras não impedem que as Forças Armadas comprem material de empresas sediadas em países que estejam em guerra e que não há tratados internacionais de que o Brasil seja signatário que criem empecilhos a esse respeito.

Segundo Múcio, o TCU não permitiu que o contrato "fosse dado ao segundo colocado", a empresa checa Excalibur. A KNDS France, terceira colocada na disputa, entrou com representação no Tribunal de Contas alegando irregularidades na concorrência vencida pela empresa israelense.

A companhia europeia pediu medida cautelar para suspender o processo de compra até que a representação seja analisada.

'Ficamos sem ter com quem conversar'

Durante o evento na CNI, Múcio comentou ainda que seu ministério ficou "órfão", sem ter "com quem conversar".

Segundo o ministro, a esquerda "achava que eles [militares] haviam projetado aquele golpe, e a direita ficou zangada porque não se deu o golpe".

Na visão de Múcio, a população deveria creditar às forças de defesa do Brasil a não ruptura democrática, tentada no ataque aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

"Porque, se muita gente debita às Forças Armadas o golpe de 1964, precisava ter creditado às Forças Armadas não ter havido golpe em 2023. Foram as Forças Armadas que preservaram e seguraram a nossa democracia", afirmou o ministro da Defesa.

Estadão Conteúdo

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