Lula e Trump. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
Em entrevista ao jornal americano The Washington Post publicada neste domingo, 17 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou que mantém diferenças políticas claras com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas acredita que isso não prejudica uma convivência diplomática entre os dois países. O chefe do Executivo brasileiro afirmou que uma relação pessoal de respeito pode ajudar o Brasil em temas como comércio e investimentos.
Lula pontuou que diverge de Trump em questões geopolíticas que vão além da relação bilateral. Segundo o presidente, ele se opõe a uma eventual guerra com o Irã, discorda da intervenção americana na Venezuela e condena o que chamou de “genocídio” na Palestina.
O mandatário ressaltou que suas discordâncias não impedem a construção de um relacionamento institucional entre Brasil e Estados Unidos. Lula frisou que, mais importante do que alinhar posições políticas, é garantir que o Brasil seja tratado com dignidade como um país democrático e soberano.
Segundo a reportagem, Lula disse que quer reforçar a cooperação entre as duas nações sem abrir mão das diferenças de opinião. O presidente brasileiro afirmou ao jornal que não pretende ceder a pressões externas sobre temas sensíveis à política interna ou à soberania do país, repetindo um posicionamento que já vinha adotando em seus pronunciamentos no Brasil.
Ao citar a diferença de abordagem em relação ao governo anterior, Lula declarou que não precisa fazer nenhum esforço para que Trump saiba que ele é um líder mais preparado do que seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais de 2022.
“Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele. Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso", disse Lula.
Essa mensagem também reforça o esforço do governo em mostrar ao público internacional que o Brasil pode conciliar posições críticas com cooperação pragmática. Lula destacou que, ao buscar um relacionamento cordial com Trump, ele tenta atrair mais investimentos norte-americanos e consolidar o respeito à democracia brasileira no exterior, especialmente em um momento em que o país enfrenta desafios econômicos e sociais.
Em sua fala ao The Washington Post, Lula ainda lembrou que manter o diálogo com líderes mundiais não significa concordar com todas as suas políticas. Ao contrário, ele defendeu a importância de conversar sobre questões difíceis e de expressar convicções pessoais de forma transparente.
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