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José Dirceu diz que Tarcísio 'é uma ficção' e 'não tem força nenhuma' sem Bolsonaro

O ex-ministro afirmou também que a ascensão da direita no Brasil acompanha uma tendência mundial e que, após 2013, o PT "ficou muito restrito, perdeu força e organização".

Ricardo Lélis

05 de setembro de 2025 às 19:46   - Atualizado às 20:01

José Dirceu e Tarcísio de Freitas.

José Dirceu e Tarcísio de Freitas. Fotos: Marcelo Camargo e Paulo Pinto/Agência Brasil

O ex-ministro José Dirceu (PT) afirmou na quinta-feira, 4 de setembro, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não tem força política própria e depende do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Ele é governador de São Paulo. O povo paulista o elegeu. Eu o respeito por isso. Mas ele não existe. Quem é o Tarcísio? Ele foi colocado para ser o candidato e o eleitorado conservador votou nele", disse Dirceu, em entrevista ao UOL.

Dirceu disse não enxergar em Tarcísio uma liderança que possa conduzir o bolsonarismo, que, avalia, vai sobreviver com ou sem Bolsonaro. O ex-presidente é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

"O conservadorismo no Brasil é muito forte. São Paulo teve ademarismo, janismo, malufismo, todos conservadores", afirmou.

Para o ex-ministro, ainda que uma eventual candidatura de Tarcísio à Presidência em 2026 tenha apoio da direita e do mercado, não é capaz de ocupar o espaço político deixado com inelegibilidade de Bolsonaro. O ex-presidente está inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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"A direita brasileira hoje não tem um líder orgânico, não tem um líder empresarial político, não tem uma coalizão política empresarial que governa o País. O Tarcísio é uma ficção. Por isso que ele precisa do Bolsonaro, porque não tem força nenhuma. Não tem base eleitoral de Tarcísio Freitas. Não tem o 'tarcisismo', vamos dizer assim", disse.

A declaração é semelhante à feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de agosto, em entrevista a uma rádio mineira.

"Temos que reconhecer que o Bolsonaro tem uma força no setor de extrema direita muito forte. Ele (Tarcísio) vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Sem o Bolsonaro ele não é nada", disse o presidente.

Ainda sobre a força do conservadorismo, Dirceu afirmou que a ascensão da direita no Brasil acompanha uma tendência mundial e que, após 2013, o PT "ficou muito restrito, perdeu força e organização".

O governador Tarcísio de Freitas é apontado como provável sucessor de Bolsonaro, com chances de ter a candidatura chancelada pelo padrinho político.

Celebrado em jantares e encontros com representantes do Centrão e da direita, ele passou recentemente a articular em Brasília pela aprovação de uma anistia a Bolsonaro e aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Estadão Conteúdo

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