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Haddad: "O companheiro Trump parece que gostou do companheiro Lula, teve uma química"

Os dois presidentese encontraram em Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Redação

24 de setembro de 2025 às 08:07   - Atualizado às 08:07

Donald Trump, Lula e Haddad.

Donald Trump, Lula e Haddad. Foto 1: Joyce N. Boghosian/White House; Foto 2: Ricardo Stuckert/PR

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na terça-feira, 23 de setembro, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "parece que gostou" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os dois se encontraram em Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça, em Nova York

"Agora, o companheiro Trump parece que gostou do companheiro Lula, teve uma química, e vai começar a conversar, e falar de coisas que realmente importam, que é integração econômica, investimentos mútuos, parcerias", disse o ministro em discurso no Congresso de Direito Tributário do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Trump revelou o alinhamento para uma reunião entre os dois durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, surpreendendo Lula e seus aliados.

"Ele me parece um homem muito bom. Ele gostou de mim, eu gostei dele. E eu só faço negócios com quem eu gosto", disse Trump. "Tivemos uma química excelente. Isso é um bom sinal", emendou o americano.

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O Itamaraty trabalha para que uma reunião entre os presidentes ocorra por videochamada ou telefonema nas próximas semanas.

A oportunidade de diálogo entre ambos ocorre em meio à crise diplomática detonada pelas sanções e tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

‘Decisão que não para em pé’

Haddad disse que os Estados Unidos começam a reconhecer que a decisão de sobretaxar o Brasil foi equivocada. O ministro afirmou que, em maio, disse ao secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que era a primeira vez que via uma região deficitária na relação com os EUA (a América do Sul) ser tributada, em meio às primeiras tarifas anunciadas pelo governo americano, de 10%.

"Dois meses depois, alguém deu a brilhante ideia de ele (Donald Trump) tarifar em mais 40% os produtos brasileiros, e agora eles (os americanos) estão escolhendo os frutos dessa decisão, pagando caro o café, pagando caro a carne, pagando caro os produtos brasileiros", afirmou.

"Começaram a excepcionalizar a decisão que tomaram, porque foi uma decisão não só politicamente errada, mas também economicamente errada. Foi uma decisão que não para em pé", criticou.

Haddad ainda disse que a reforma tributária veio "em boa hora", antes do tarifaço de Trump. "Como que por premonição de que alguma coisa muito ruim podia acontecer, e aconteceu", disse.

Segundo ele, o Brasil está em condições de enfrentar os novos desafios globais e sentar à mesa com qualquer grande player internacional, e citou "excelentes relações" com a Ásia, a proximidade de um "grande acordo" com a União Europeia e o Mercosul e a retomada do diálogo com os países da África.

"Nós estávamos em discussão pra alinhar investimentos estratégicos no campo da transformação ecológica entre o Brasil e os Estados Unidos, isso infelizmente tem que ser resgatado porque foi interrompido, mas quero crer que as iniciativas brasileiras vão aproximar os dois países", finalizou.

Estadão Conteúdo

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