A oposição também está elaborando um requerimento para a convocação de integrantes do governo. Entre eles, está o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Após a Polícia Federal deflagrar a Operação Cessatio, na manhã desta quinta-feira, 24 de abril, que teve como alvo desarticular um esquema bilionário de fraudes no INSS, envolvendo descontos indevidos em benefícios como aposentadorias e pensões, parlamentares de oposição ao governo passaram a se movimentar para protocolar um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o escândalo.
Elaborado pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), o documento já conta com 69 assinaturas. É importante ressaltar que esse número foi contabilizado até a manhã desta quinta, podendo haver alterações ao longo dos dias.
Em entrevista à CNN, o parlamentar afirmou que o objetivo é defender a investigação dos envolvidos no esquema, além dos sindicatos citados.
“Essa é uma pauta sensível e que não tem bandeira partidária. Esperamos que as investigações avancem com rigor e que o Governo se posicione com firmeza”, disse à CNN.
Coronel Chrisóstomo também afirmou que é “papel do Congresso agir e garantir transparência e justiça”.
“Não podemos aceitar silêncio diante de um crime dessa magnitude. É papel do Congresso agir e garantir transparência e justiça. A oposição vai cobrar providências e pressionar pela instalação imediata da CPI. Vamos intensificar o diálogo com os demais parlamentares e também com a sociedade. Só não assina esta CPI o parlamentar que não pensa nos idosos”, acrescentou.
A oposição também está elaborando um requerimento para a convocação de integrantes do governo. Entre eles, está o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. De acordo com os parlamentares, o objetivo da convocação é obter esclarecimentos sobre o caso nos colegiados da Câmara.
O líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), também está à frente da coleta das assinaturas e considerou o cenário um “assalto institucionalizado contra aposentados, pensionistas e beneficiários por incapacidade”.
“Estamos falando de um verdadeiro assalto institucionalizado contra aposentados, pensionistas e beneficiários por incapacidade – gente simples, humilde, que depende única e exclusivamente do benefício do INSS para sobreviver”, disse.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu os acordos de Cooperação Técnica com ao menos dez entidades, no contexto da operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira, 23 de abril. A ação visa desarticular um esquema que teria provocado prejuízos de R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024, por meio de descontos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas.
A investigação, que conta com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU), resultou no cumprimento de 211 mandados de busca e apreensão, além de seis mandados de prisão no Distrito Federal e em outros 13 estados. O foco da apuração são pessoas ligadas às entidades conveniadas, operadores do esquema e servidores públicos.
Segundo os investigadores, as entidades usavam os convênios com o INSS para realizar cobranças diretas na folha de pagamento dos beneficiários, sob a justificativa de oferecer serviços como planos de saúde, seguros e auxílios funerários. No entanto, muitos aposentados e pensionistas afirmaram não ter autorizado os débitos, o que os levou a procurar a Justiça.
A Polícia Federal aponta que os valores obtidos indevidamente eram repassados a empresas de fachada. Apenas um dos grupos empresariais investigados teria movimentado mais de R$ 300 milhões.
A sede do INSS em Brasília também foi alvo de buscas, assim como integrantes da atual direção da autarquia. Os envolvidos podem responder por crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, falsificação de documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Algumas das entidades se manifestaram após a deflagração da operação. A Unabrasil, a Ambec e a Cebao alegaram, por meio de nota, que não realizam "atividade ostensiva de captação, prospecção e afiliação de seus associados". A nota afirma ainda:
“Tais atividades são praticadas por empresas privadas diversas, de forma que, se qualquer fraude ocorreu, a associação é tão vítima quanto seus associados […] a associação informa que possui robusto programa de compliance, hábil a justificar a lisura de suas atividades em prol do bem-estar e melhoria da qualidade de vida de pessoas da ‘terceira idade’.”
As entidades também disseram ter recebido "com surpresa" a deflagração da operação, argumentando que os fatos já vinham sendo investigados há mais de um ano pela Polícia Civil de São Paulo.
Já o SINDNAPI afirmou que apoia as investigações e que segue comprometido com a defesa dos aposentados. Segundo a entidade:
“Faz parte do DNA do sindicato a defesa dos beneficiários do INSS e a luta contra golpes dos mais diversos que afetam os ganhos dessa população.”
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