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Fraude do INSS: Polícia Federal aponta repasses da Conafer ao ex-ministro de Bolsonaro

A corporação afirma que José Carlos Oliveira teria recebido "valores indevidos" repassados pela entidade que representa agricultores familiares e empreendedores rurais.

Cami Cardoso

14 de novembro de 2025 às 09:05   - Atualizado às 09:33

Fraude do INSS: Polícia Federal aponta repasses da Conafer ao ex-ministro de Bolsonaro

Fraude do INSS: Polícia Federal aponta repasses da Conafer ao ex-ministro de Bolsonaro Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado.

A nova etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 14 de novembro, colocou o ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social, José Carlos Oliveira, no centro de uma investigação sobre um esquema de descontos ilegais envolvendo o INSS.

A corporação afirma que o ex-ministro teria recebido “valores indevidos” repassados pela Conafer, entidade que representa agricultores familiares e empreendedores rurais.

Segundo o relatório da PF, a Conafer é apontada como participante de um sistema que aplicava descontos irregulares a beneficiários do INSS. As suspeitas sobre José Carlos Oliveira surgem porque, de acordo com os investigadores, ele teria atuado para favorecer o funcionamento desse esquema tanto quando estava à frente do Ministério do Trabalho e da Previdência quanto no período em que presidiu o próprio INSS.

As apurações incluem menções diretas ao operador financeiro identificado pela Polícia Federal: Cícero Marcelino. De acordo com o relatório, Cícero repassava quantias ao ex-ministro.

A corporação cita ainda mensagens de WhatsApp atribuídas a José Carlos Oliveira nas quais ele agradeceria o recebimento desses valores. As mensagens são tratadas como elementos que reforçam a possibilidade de pagamentos indevidos ocorridos durante o período investigado.

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Apesar da gravidade das suspeitas, a ação da PF não resultou na prisão do ex-ministro. Contudo, ele passou a ser monitorado e está utilizando tornozeleira eletrônica.

Além disso, todos os endereços ligados a Oliveira foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça, com o objetivo de reunir documentos e materiais que possam esclarecer como o esquema funcionava e qual teria sido a atuação do ex-titular da pasta.

Enquanto a investigação avança, órgãos de imprensa tentam obter manifestações dos envolvidos. O Poder360 informou que enviou questionamentos por e-mail à defesa de José Carlos Oliveira para saber se ele gostaria de comentar o caso.

Até a publicação da reportagem, não houve retorno, e o veículo afirmou que irá atualizar o conteúdo caso alguma resposta seja enviada posteriormente.

A Conafer também foi procurada pelo jornal digital. A entidade afirmou que considera fundamental o respeito ao princípio da presunção de inocência e declarou estar disposta a colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação. A confederação reforçou que deseja contribuir para a “elucidação dos fatos” e para que “a verdade jurídica se imponha”.

Com os materiais apreendidos e o monitoramento em andamento, a Polícia Federal prossegue na análise das informações que possam indicar a extensão dos descontos ilegais atribuídos ao grupo investigado.

A etapa atual da Operação Sem Desconto se concentra em identificar como o esquema teria sido operado e qual teria sido o papel de cada integrante mencionado ao longo das diligências. As investigações continuam.

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