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Filme de Bolsonaro que recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro foi denunciado por condições precárias

Os relatos descrevem diferenças no tratamento entre o elenco estrangeiro e os figurantes brasileiros.

Redação

15 de maio de 2026 às 12:16   - Atualizado às 12:20

Imagem ilustrativa de Vorcaro olhando para o cartaz do filme de Bolsonaro.

Imagem ilustrativa de Vorcaro olhando para o cartaz do filme de Bolsonaro. Foto: Divulgação

O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou ao centro das atenções após a divulgação de um investimento de R$ 61 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A revelação ocorreu na quarta-feira, 13 de maio, e trouxe novamente à tona denúncias registradas meses antes sobre as condições de trabalho durante as filmagens em São Paulo. As informações são do G1.

Na mesma data, o Intercept Brasil publicou mensagens e áudios trocados entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre o financiamento da produção. Segundo a reportagem, o banqueiro teria feito repasses entre fevereiro e maio de 2025 por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

Antes da divulgação desses diálogos, o SATED/SP já havia reunido reclamações formais sobre a rotina de trabalho no set. O sindicato compilou as ocorrências em um relatório fechado em dezembro, com base em 15 registros feitos por figurantes e técnicos por meio do canal “Reclame SATED”.

Denúncias

Os relatos descrevem diferenças no tratamento entre o elenco estrangeiro e os figurantes brasileiros. Enquanto a equipe principal recebia café da manhã e almoço em sistema de buffet, os figurantes recebiam apenas um kit lanche composto por pão com frios, uma maçã, uma paçoca e um suco. Os trabalhadores afirmaram que essa alimentação não atendia às necessidades de jornadas que ultrapassavam oito horas.

O documento também registra queixas sobre fornecimento de comida estragada no dia 30 de outubro de 2025. Parte dessas denúncias chegou ao sindicato por mensagens enviadas por WhatsApp. Os relatos mencionam ainda atrasos nos pagamentos e cachês abaixo do valor praticado no mercado.

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Alguns figurantes afirmaram que a produção os contratou por meio de grupos de WhatsApp e realizou pagamentos em dinheiro, sem emissão de nota fiscal. Outros trabalhadores relataram que precisaram pagar R$ 10 pelo transporte até o local das gravações. Segundo eles, a equipe cobrava o valor em espécie ou descontava a quantia do cachê ao final da diária.

O relatório também menciona denúncias de assédio moral e condições consideradas precárias durante as gravações. Um dos figurantes afirmou ter sofrido agressão física dentro do set. De acordo com o sindicato, ele registrou boletim de ocorrência e informou que faria exame de corpo de delito.

Entre as queixas mais sensíveis, os trabalhadores relataram revistas pessoais que consideraram invasivas. Segundo os depoimentos, seguranças realizavam abordagens com toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes logo na entrada das locações.

O sindicato também registrou questionamentos sobre o uso de equipe técnica estrangeira sem o recolhimento das taxas previstas na Lei nº 6.533/78, que regulamenta as profissões artísticas e técnicas no setor audiovisual no Brasil. As denúncias constam no relatório oficial do SATED/SP.

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