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Eletronuclear pede R$ 1,4 bilhão ao governo Lula para evitar colapso financeiro

Crise de liquidez da Eletronuclear ameaça operação das usinas nucleares após privatização parcial.

Portal de Prefeitura

27 de outubro de 2025 às 17:23   - Atualizado às 17:37

Lula e Eletronuclear

Lula e Eletronuclear Foto: Divulgação/ Agência Brasil

A Eletronuclear, empresa responsável pela operação das usinas nucleares de Angra 1, Angra 2 e Angra 3, solicitou ao governo federal um aporte emergencial de R$ 1,4 bilhão para manter suas atividades e evitar um colapso financeiro iminente. A situação crítica da companhia é fruto de uma combinação de fatores, incluindo a privatização parcial da Eletrobras, a falta de fontes definidas para manutenção das usinas e a necessidade de garantir a extensão da vida útil de Angra 1.

O pedido foi formalizado em um ofício enviado ao Ministério de Minas e Energia, pela ENBPar, a holding criada pelo governo para manter o controle das operações nucleares estratégicas. No documento, a Eletronuclear alerta para o “risco de colapso operacional e financeiro” já a partir de novembro de 2025, caso os recursos não sejam liberados.

Privatização parcial e desafios financeiros

Em outubro de 2025, a fatia privada da Eletronuclear, correspondente a 68% do capital total da empresa, foi vendida para a Âmbar Energia, braço da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, por R$ 535 milhões. Apesar disso, a União mantém o controle da empresa através da ENBPar, garantindo que as operações nucleares permaneçam sob supervisão estatal, uma exigência estratégica para a segurança energética do país.

A crise de caixa da Eletronuclear se intensifica devido à necessidade de financiamento para o programa de extensão da vida útil (LTO) de Angra 1 e para a manutenção de Angra 3. Sem esses recursos, a companhia corre risco de inadimplência com bancos como BNDES, Caixa Econômica Federal e Santander, além de multas e juros que podem comprometer ainda mais sua saúde financeira.

Riscos e alternativas

A Eletronuclear também enfrenta dívidas de curto prazo com o Banco ABC e o BTG, no valor aproximado de R$ 570 milhões, com vencimento previsto para dezembro de 2025. Inicialmente, a empresa planejava cobrir essas despesas com a emissão de R$ 2,4 bilhões em debêntures, mas a operação ainda não foi concluída.

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O governo, por sua vez, mantém uma posição cautelosa. A Secretaria do Tesouro e a equipe econômica têm resistido a aportes diretos, defendendo que qualquer socorro financeiro seja acompanhado de um plano detalhado de sustentabilidade e reequilíbrio financeiro.

Perspectivas e impacto

A situação da Eletronuclear reflete os desafios do setor energético brasileiro em um período de privatizações e reestruturações. Garantir a continuidade das operações nucleares é essencial não apenas para a segurança energética, mas também para evitar impactos diretos na população e na economia. A decisão sobre o aporte emergencial solicitado será determinante para definir o futuro imediato da empresa e das usinas nucleares no Brasil.

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