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Eleitor que vendeu voto foi para as urnas usando óculos-espião

Uma mesária se atentou ao objeto, e afirmou que mais de uma pessoa o usou.

21 de outubro de 2024 às 11:43   - Atualizado às 12:54

Óculos-espião é usado na hora do voto.

Óculos-espião é usado na hora do voto. Arte montagem: Portal de Prefeitura.

Uma reportagem exclusiva do Fantástico apurou que, em uma cidade do Pará, Ourilândia do Norte, eleitores venderam o seu voto e foram para as urnas com um óculos-espião, a fim de que comprovassem que o voto vendido fosse realmente confirmado no vereador Edivaldo Borges Gomes, o Irmão Edivaldo (MDB).

Os óculos, com uma microcâmera embutida, chamaram a atenção de uma mesária. Mais de uma pessoa na mesma seção eleitoral entrou com o objeto.

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A mesária disse à polícia que, “em determinado momento, observou um eleitor portando óculos com espessura extensa. E, depois de alguns instantes, uma adolescente estava com o mesmo objeto no bolso”.

A mulher contou que abordou a eleitora e acionou os funcionários da Justiça Eleitoral, que descobriram que os óculos possuíam uma câmera acoplada.

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A adolescente abordada declarou que uma pessoa desconhecida ofereceu R$ 200 para que ela votasse no candidato a vereador Irmão Edivaldo. E ela só receberia o valor caso comprovasse por meio das filmagens que votou no candidato.

Irmão Edivaldo foi preso em flagrante e solto mediante pagamento de fiança. Ele pode responder pelo crime de compra de votos e associação criminosa. Cinco dias após ser reeleito, o político se defendeu das acusações em uma sessão da Câmara de Vereadores.

Disputa mais acirrada do país teve compra de votos

Em Nova Olinda do Maranhão, os mais de 14 mil habitantes viveram a disputa pela prefeitura mais acirrada em todo o país. Ary Menezes (PP) foi eleito no primeiro turno com 50,01% dos votos válidos, e Thaymara Amorim (PL) ficou em segundo lugar, com 49,99%. E a diferença entre os dois candidatos foi de apenas dois votos.

Thaymara chegou a comemorar a vitória antes do fim da apuração, que com 97% das urnas apuradas dava uma diferença de 100 votos a favor dela. No entanto, o resultado final deu a vitória a Ary.

Depois da vitória, porém, alguns eleitores confessaram ter vendido o voto em favor de Ary Menezes. E denunciaram que passaram a receber ameaças e represálias.

Danilo Santos é um deles. Ele admitiu que foi procurado antes da votação e aceitou vender o seu voto.

“Ary Menezes, com Ronildo, Cleo Barros, foram na minha casa, entendeu? Pra gente fechar um compromisso”, revelou, citando Ronildo da Farmácia (MDB), o vice, e Clecia Barros (Republicanos), aliada de Ary. Ele revelou que o trio perguntou o que ele queria em troca do voto.

“Falei que era 1.500 telhas, 20 sacos de cimento e a madeira da minha casa. Eles falaram para mim que, se fosse só isso, já estava tudo comprado. Que no outro dia era para eu ir buscar lá no galpão”, contou.

Danilo disse que não recebeu tudo o que foi prometido e, por isso, mudou de ideia. Dois dias depois da eleição, um caminhão da prefeitura retirou as telhas da casa dele.

Outra eleitora, a pescadora Luciane Souza Costa, também foi ameaçada. Ela decidiu não votar em Ary nem na vereadora indicada por ele depois que o marido dela recebeu dinheiro pela compra do voto. Imagens gravadas por Luciane mostram um homem, que tem o número do candidato a prefeito na camisa, ameaçando-a.

“Como eu não peguei o dinheiro, foi o meu marido que pegou, e eu postei nos meus ‘Status’ [em rede social] dando apoio para a minha vereadora, me ameaçaram de morte. [Ameaçaram] eu, meu marido e minhas filhas. Que se a gente não votasse neles, eles iam matar a gente”.

O que disseram os citados

Por nota, o prefeito eleito Ary Menezes disse que “a compra e venda de votos compromete a democracia do pleito e deve ser apurada pela Justiça Eleitoral", e se colocou à disposição para esclarecimentos.

Ronildo da Farmácia, o vice-prefeito eleito, negou as acusações. “Eu dou a garantia que da minha parte e da parte do Ary, 100% de certeza que não oferecemos dinheiro em troca de votos para ninguém. Fizemos uma campanha limpa, está entendendo?”

A defesa de Clélia Barros disse em nota que “Clélia não tem conhecimento sobre a captação ilícita de votos apontada na reportagem” e que “a cliente tem a vida pública pautada por honestidade, sempre respeitando os pilares da democracia”. 

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