Pernambuco, 10 de Abril de 2026

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Defesa de Zambelli entra com recurso na Justiça da Itália para tentar reverter extradição ao Brasil

A ex-deputada federal foi condenada em dois processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e está presa no exterior desde julho de 2025.

Ricardo Lélis

10 de abril de 2026 às 19:44   - Atualizado às 19:44

Deputada federal Carla Zambelli.

Deputada federal Carla Zambelli. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) entrou com um recurso nesta sexta-feira, 10 de abril, para tentar reverter a decisão da Justiça italiana que autorizou a extradição para Brasil.

A informação foi confirmada ao Estadão pelo advogado Fábio Pagnozzi, responsável pela defesa da parlamentar.

Zambelli foi condenada em dois processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e está presa no exterior desde julho de 2025.

O julgamento na Corte de Apelação de Roma foi concluído em fevereiro e a decisão foi comunicada no dia 26 de março.

O julgamento na Corte de Apelação de Roma foi concluído em fevereiro. Agora o recurso será analisado e a decisão final é de responsabilidade do governo italiano, por meio do Ministério da Justiça.

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Como a defesa recorreu à Corte de Cassação do país, o recurso pode ser negado pelo tribunal, e o processo pode ser encerrado em quatro a seis meses, conforme explica o professor especialista em direito internacional da UFSC Arno Dal Ri Júnior

No entanto, o professor diz que, caso a Corte entenda que o recurso faz sentido, o mérito volta a ser analisado e o processo de extradição pode se estender por até dois anos.

A decisão final cabe ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. Nessa etapa, a administrativa, critérios políticos poderão ser inseridos na avaliação do caso, de acordo com o professor da UnB, Vladimir Aras.

Se Nordio decidir pela extradição da ex-deputada, Zambelli ainda poderá acionar a justiça administrativa italiana, no Tribunal Administrativo Regional (TAR) do Lazio.

Se perder, ainda vai poder recorrer ao Conselho de Estado. Como última medida, a ex-deputada poderá requerer proteção à Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo, onde, segundo Aras, é pouco provável que tenha êxito.

Se ao final do processo, a extradição for confirmada, a Justiça italiana comunica a embaixada brasileira em Roma e a polícia do país vai entregar Zambelli à Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol, que vai colocá-la em um voo para o Brasil, acompanhada dos agentes criminais.

Segundo Arno Dal Ri Júnior, se a extradição for mantida, ela deve vir algemada e acompanhada de dois agentes da Interpol até o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, ou o Galeão, no Rio de Janeiro.

Na chegada em solo brasileiro, ela será entregue à Polícia Federal e será presa imediatamente. Conforme a decisão da Corte de Apelação, a ex-deputada será encaminhada a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

Em nota, os advogados Fabio Pagnozzi e Pieremilio Sammarco destacaram que o recurso traz "questionamentos sobre o sistema carcerário brasileiro, críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e possíveis irregularidades processuais".

"Desde o início, apontamos falhas no processo, tanto na ausência de correspondência do "crime de hackeragem" na legislação italiana quanto na forma como o pedido de extradição foi formalizado", disse o advogado Fábio Pagnozzi.

Relembre as condenações

Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto.

Ele afirmou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Após essa condenação, Zambelli deixou o País e acabou presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.

A ex-deputada também foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

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