Comissão de frente da Acadêmicos de Niterói encena Alexandre de Moraes prendendo Bolsonaro Foto: Reprodução / Twitter
A Acadêmicos de Niterói segue dando o que falar nas redes sociais após sua estreia no Grupo Especial do Rio de Janeiro. Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola levou para a Marquês de Sapucaí uma homenagem à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando momentos de sua vida política e origem popular.
Apesar do tema abertamente politizado, algo recorrente na história do Carnaval carioca, a agremiação optou por contar sua narrativa com humor e ironia. Um dos trechos mais comentados foi a sátira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo, vestindo terno e gravata. A caracterização apareceu tanto em alegorias quanto na comissão de frente.
Durante a apresentação, outro personagem conhecido do cenário político brasileiro foi representado: o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Na encenação, ele surgia prendendo o personagem que simbolizava o ex-presidente, conduzindo-o a uma cela, em referência às investigações e decisões judiciais envolvendo Bolsonaro.
As cenas repercutiram rapidamente nas redes, dividindo opiniões entre apoiadores e críticos. Enquanto parte do público defendeu a liberdade artística da escola, outros classificaram a encenação como provocação política. A estreia da Acadêmicos de Niterói, assim, consolidou-se como um dos momentos mais comentados do Carnaval deste ano (Confira o vídeo aqui).
Durante o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a escola apresentou a ala “Neoconservadores em conserva”, que acabou chamando atenção pela sátira a grupos evangélicos.
De acordo com o texto oficial divulgado pela escola, a ala foi construída para retratar segmentos que, na visão do enredo, compõem um bloco conservador no cenário político nacional. As fantasias, em formato de lata de conserva, faziam referência simbólica à ideia de “conservadorismo”.
Na parte superior das alegorias, quatro personagens identificavam os grupos citados: representantes do agronegócio, simbolizados por um fazendeiro; uma mulher de classe alta, descrita como “perua”; defensores da Ditadura Militar; e grupos religiosos evangélicos.
No material oficial, a Acadêmicos de Niterói afirma que utilizou o humor como ferramenta narrativa, recurso tradicional do carnaval para abordar temas sociais e políticos contemporâneos. Após a apresentação, imagens e vídeos da ala circularam nas redes sociais e geraram reações diversas, com manifestações favoráveis e críticas à abordagem adotada.
O humor segue em voga para caracterizar os chamados “neoconservadores”. Um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele, como privatizações e o fim da escala de trabalho 6x1.
O movimento em ascensão no Brasil passou a se associar, dentro do campo político, aos seguidores da extrema direita. A fantasia traz uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos. Na cabeça dos componentes, há uma variação de elementos para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo. São eles: os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher de classe alta (perua), os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos. No Congresso Nacional, formam um bloco conservador que defende pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas, interesses do agronegócio e dos valores tradicionais da família.
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