Ministro da Educação (MEC), Camilo Santana. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Camilo Santana, ministro da Educação, confirmou, nesta segunda-feira, 19 de janeiro, que deixará o comando da pasta. A decisão se deu após a apresentação de um balanço das ações do MEC referentes a 2025. A saída, segundo ele, deverá ser discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a consolidação dos principais resultados do período.
Em conversa com jornalistas, Camilo informou que o balanço deve ser apresentado até março. A partir desse momento, a expectativa é que ele passe a se dedicar integralmente à agenda eleitoral de 2026.
A decisão de Santana ocorre em meio ao atraso no reajuste do piso nacional dos professores.
O ministro já manifestou apoio à reeleição de Lula e também à recondução do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).
“Estamos fazendo um balanço de 2025 das ações do MEC. No país e no Ceará não podemos retroceder”, afirmou.
De acordo com Camilo Santana, o Ceará tem recebido o maior volume de investimentos estruturantes de sua história, o que, na avaliação dele, reforça a necessidade de continuidade do atual projeto político.
O ministro também disse que ainda deve se reunir com o presidente Lula para alinhar tanto a apresentação do balanço dos anos à frente do MEC quanto o planejamento político relacionado à sua saída do ministério.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a movimentação faz parte do processo de reorganização do governo diante da antecipação das articulações para as eleições de 2026.
O Governo Federal deve realizar nos próximos dias uma reunião decisiva para tratar do reajuste do piso salarial dos professores. Segundo o MEC, a expectativa é que um novo percentual seja definido e anunciado ainda nesta semana, após consenso interno na gestão e diálogo com diferentes áreas envolvidas na política educacional.
Camilo Santana falou com jornalistas ao comentar o andamento das discussões e destacou a necessidade de dar mais previsibilidade aos gestores estaduais e municipais. Ele explicou que o tema avançou nos últimos dias e que o governo trabalha para corrigir distorções geradas pela regra atual de cálculo do piso. O ministro afirmou que houve um entendimento na semana passada e que o Executivo aguarda apenas a formalização da decisão para divulgar o novo índice de reajuste.
Pela regra hoje em vigor, o piso salarial nacional do magistério em 2026 teria um reajuste de apenas 0,37%. Na prática, isso representaria um aumento de cerca de R$ 18 no salário mensal dos professores da educação básica. Com esse índice, o valor do piso passaria de R$ 4.867,77 para R$ 4.885,78. O número provocou forte reação entre profissionais da educação, sindicatos e entidades representativas da categoria em todo o país.
O principal argumento do setor é que o percentual previsto fica muito abaixo da inflação registrada em 2025, que fechou o ano em 4,26%. Para professores e representantes sindicais, um reajuste tão baixo resulta em perda real do poder de compra e aprofunda dificuldades já enfrentadas pela categoria, especialmente em redes públicas com salários próximos ao piso nacional.
Diante da repercussão negativa, o Governo Federal passou a discutir alternativas para alterar o cálculo do reajuste. Na última semana, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se reuniu com entidades sindicais ligadas à educação para ouvir reivindicações e avaliar caminhos possíveis. O encontro fez parte de uma rodada de conversas voltada a reduzir tensões e buscar uma solução que equilibrasse as contas públicas e a valorização dos profissionais da educação.
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