Caixa suspende lançamento de plataforma de bets após pressão de Lula. Foto: Agência Brasil
A Caixa Econômica Federal decidiu adiar o lançamento de sua própria plataforma de apostas, após uma cobrança direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O banco público vinha planejando o anúncio ainda neste ano, com previsão de início das operações em 2026 e expectativa de arrecadar cerca de R$ 2,5 bilhões. No entanto, o projeto enfrentou resistência dentro do próprio governo e críticas da oposição, o que levou à decisão de suspender o cronograma.
Segundo integrantes do Governo Lula, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência orientou a Caixa a priorizar iniciativas de maior impacto social e eleitoral. Entre as medidas em destaque está o programa de reforma de moradias, que deve movimentar R$ 40 bilhões. A proposta busca atender famílias de baixa renda e impulsionar a geração de empregos no setor da construção civil.
Outra frente de atuação será a criação de uma linha de crédito voltada para motoboys, em parceria com o Palácio do Planalto e o Ministério do Trabalho. A medida deve oferecer melhores condições de financiamento para trabalhadores autônomos que dependem de motocicletas para atuar em serviços de entrega. De acordo com fontes do governo, essas ações estão em fase de estruturação e devem ser anunciadas ainda este ano.
Um integrante da administração federal afirmou que a plataforma de apostas “não é prioridade neste momento”, destacando que o foco está em políticas públicas e medidas voltadas à sustentabilidade. A Caixa também pretende divulgar iniciativas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro de 2025, em Belém.
Durante viagem à Ásia, no fim de outubro, Lula demonstrou irritação com as críticas da oposição sobre o envolvimento do banco público no projeto de apostas. Na volta ao Brasil, o presidente conversou com o dirigente da instituição, Carlos Vieira, e reforçou a necessidade de alinhar as estratégias do banco às prioridades do governo. Desde então, o tema ficou em segundo plano.
Embora o lançamento esteja suspenso, a Caixa segue defendendo internamente a ideia de ter uma plataforma própria. O banco argumenta que uma parte considerável das apostas realizadas no Brasil ocorre em sites estrangeiros, sem autorização para funcionamento e sem recolhimento de impostos no país.
A instituição também aponta que a arrecadação das loterias caiu cerca de 50% desde o crescimento das plataformas internacionais, o que impacta diretamente os cofres públicos, já que quase metade dos valores brutos arrecadados pelas loterias é destinada a programas governamentais.
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