Ministro da Educação, Camilo Santana, e o presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta sexta-feira (11), os resultados da avaliação de alfabetização de 2024, revelando um dado preocupante: 41% das crianças brasileiras ainda não estão alfabetizadas até os 8 anos de idade, como preveem os parâmetros do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Apesar da ligeira melhora em relação ao ano anterior — passando de 56% para 59,2% de crianças alfabetizadas — o Brasil não conseguiu atingir a meta de 60% estipulada pelo próprio governo federal para este ano. O número, ainda abaixo do ideal, reacende o alerta sobre os desafios da educação infantil pública no país.
A avaliação faz parte do programa Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que busca garantir que os alunos sejam alfabetizados até o fim do 2º ano do ensino fundamental e também recuperar os prejuízos causados pela pandemia de Covid-19. Ao todo, mais de 2 milhões de estudantes foram avaliados, distribuídos em 42 mil escolas de 5.450 municípios.
Embora 11 estados tenham conseguido alcançar suas metas específicas, a desigualdade regional ainda é um entrave significativo. O Rio Grande do Sul, por exemplo, viu seus indicadores despencarem por conta das enchentes registradas em 2024, impactando diretamente os resultados nacionais.
O programa considera como alfabetizadas as crianças que conseguem ler textos simples, identificar informações diretas, interpretar tirinhas e produzir pequenos textos — mesmo com alguns erros ortográficos. Para especialistas, embora o avanço seja positivo, o dado de que 4 em cada 10 crianças seguem sem essas habilidades básicas aos 8 anos é um retrato alarmante.
“O dado mostra um esforço importante, mas precisamos de mais. Alfabetizar nossas crianças é a base para todo o futuro educacional e social do país”, declarou o ministro da Educação, Camilo Santana.
Sem avanços consistentes, o Brasil corre o risco de ampliar ainda mais o fosso da desigualdade e comprometer o desenvolvimento de toda uma geração. Para virar esse jogo, especialistas apontam a necessidade de investimento constante, formação de professores e políticas públicas mais eficientes para os municípios mais vulneráveis.
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