Presidente Lula e a arrecadação. Foto: Roberto Stuckert/PR e reprodução da internet
A Receita Federal confirmou nesta quinta-feira (22) que a arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu o patamar inédito de R$ 2,89 trilhões em 2025. Em primeiro lugar, o resultado representa um crescimento real de 3,75% e é o maior da série histórica. De fato, o governo tem sido extremamente eficaz em extrair recursos da sociedade, mas falha gravemente em converter esse montante em equilíbrio fiscal ou serviços públicos de qualidade.
Apesar da entrada massiva de dinheiro nos cofres públicos, o endividamento do país continua em trajetória ascendente. Além disso, o economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, alerta que o governo tem utilizado manobras para retirar despesas das estatísticas oficiais, o que mascara a realidade do deficit. Nesse sentido, conforme informações do portal Money Times, Mendes destaca que cerca de R$ 300 bilhões em gastos ficaram fora das regras fiscais nos últimos três anos, criando uma falsa sensação de controle.
A crítica central reside no fato de que o aumento da receita foi acompanhado por uma explosão de gastos correntes que não geram retorno social proporcional. Dessa forma, o economista Gil Castello Branco, fundador da ONG Contas Abertas, afirma que o Brasil vive um momento em que a gestão foca na "arrecadação punitiva" em vez de cortar privilégios. De acordo com o portal G1, o custo de manutenção da estrutura federal nunca foi tão alto, consumindo a maior parte do que é arrecadado com o esforço do contribuinte.
A insistência em manter estímulos fiscais insustentáveis coloca o país em uma rota de colisão com a inflação. Contudo, o mercado financeiro tem demonstrado uma complacência perigosa. Segundo o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, em análise divulgada pela revista Exame, o crescimento das despesas obrigatórias acima do PIB torna qualquer recorde de arrecadação insuficiente no médio prazo. Conforme Megale, a falta de uma reforma administrativa real impede que o excesso de impostos se transforme em investimento produtivo.
O recorde divulgado hoje prova que o problema do Brasil não é falta de receita, mas sim a incapacidade política de priorizar despesas. Portanto, o desafio para este ano será convencer o investidor de que o governo pode parar de gastar de forma errada. De acordo com o economista Felipe Salto, ex-secretário da Fazenda de SP e atual sócio da Warren, o governo federal precisa sinalizar cortes reais para evitar que a inflação de serviços corroa o poder de compra da população. Conforme o portal Terra, Salto projeta que, sem ajustes, a pressão sobre os juros continuará alta durante todo o ano de 2026.
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