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Brasil contrariou Estados Unidos e apoiou enriquecimento de urânio pelo Irã durante reunião em maio

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, foi o responsável por expressar o posicionamento oficial.

Everthon Santos

17 de junho de 2025 às 13:26   - Atualizado às 13:26

Assessor Celso Amorim e presidente do Brasil, Lula

Assessor Celso Amorim e presidente do Brasil, Lula Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil

O governo do Brasil demonstrou apoio à posição do Irã sobre o uso pacífico da energia nuclear, durante reunião internacional realizada na Rússia, em maio.

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, foi o responsável por expressar o posicionamento brasileiro diante de autoridades iranianas, em um momento em que Teerã tenta retomar um acordo com os Estados Unidos sobre o seu programa nuclear.

O gesto de apoio ocorreu na 13ª Reunião Internacional de Altos Representantes para Questões de Segurança, realizada na cidade de Moscou. Celso Amorim, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro, participou de uma reunião com o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã (SNSC), que liderava a delegação iraniana.

Durante o encontro, Celso Amorim destacou que o Brasil reconhece o direito de o Irã desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos, incluindo o enriquecimento de urânio.

O posicionamento segue o princípio de que todos os países têm direito à energia nuclear para usos civis, desde que respeitem os tratados internacionais, como o Acordo de Não Proliferação Nuclear (TNP).

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O apoio brasileiro acontece em meio a uma nova fase de negociações entre Irã e Estados Unidos. Os dois países travam um impasse diplomático que dura anos, agravado desde que o ex-presidente Donald Trump decidiu retirar os EUA do acordo nuclear firmado em 2015.

O pacto previa o fim de sanções econômicas ao Irã em troca de limites e monitoramento de seu programa nuclear. Em 2018, Trump rompeu com o acordo e passou a adotar uma política de “pressão máxima”, impondo sanções mais duras contra Teerã.

Desde então, o Irã retomou parte de suas atividades nucleares e passou a enriquecer urânio em níveis mais elevados. Washington, por sua vez, insiste que o país persa suspenda completamente o enriquecimento como condição essencial para qualquer novo entendimento.

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