Lidiane Leite, ex-prefeita de Bom Jardim, que ficou conhecida como "Prefeita Ostentação" por causa de seu comportamento nas redes sociais. Foto: Arquivo pessoal
Em Bom Jardim, interior do Maranhão, a realidade nas salas de aula é o retrato de um abandono prolongado. A cidade, com pouco mais de 33 mil habitantes e localizada a 275 km de São Luís, já recebeu mais de R$ 650 milhões do Fundeb nos últimos 13 anos mas o que se vê são escolas interditadas, crianças estudando em igrejas e até salas de aula improvisadas em casas de moradores.
Por trás desse cenário, está uma história de corrupção que atravessa gestões. Quatro dos últimos cinco prefeitos foram condenados por desvio de dinheiro público ou improbidade administrativa. Entre eles, a ex-prefeita Lidiane Leite, que ficou conhecida nacionalmente como a “Prefeita Ostentação” título conquistado após exibir uma vida de luxo nas redes sociais enquanto o ensino da cidade desmoronava.
Lidiane chegou a ser presa, acusada de desviar cerca de R$ 15 milhões da educação pública. Ao todo, ela acumula dez condenações, somando quase 40 anos de prisão. Mesmo assim, responde aos processos em liberdade.
Depois de Lidiane, a cidade viu uma sequência de escândalos. Sua vice, Malrinete Gralhada, também foi condenada a 15 anos por desvio de recursos. Manoel da Conceição Pereira Filho, que governou por apenas 70 dias, foi acusado de desviar R$ 600 mil. Já Francisco Alves Araújo, prefeito entre 2017 e 2020, foi afastado três vezes por corrupção e improbidade.
Segundo o promotor Fábio Oliveira, que acompanhou as investigações de todos esses casos, criou-se em Bom Jardim uma “cultura da corrupção”:
“Eles já ficavam esperando a vez deles entrarem, já para se corromper e sugar o dinheiro que tinha em Bom Jardim”, disse o promotor em entrevista.
Enquanto milhões de reais sumiam, a população continuava sem o básico. A dona de casa Eudinete caminha todos os dias com seus seis filhos até uma pequena igreja que hoje serve de sala de aula. O prédio original da escola foi interditado há anos, sem previsão de reforma.
“Um banheiro, pelo menos um, já seria um sonho”, desabafa a moradora, que acumula as funções de zeladora, merendeira e vigilante.
Em outro povoado, Dona Elivânia abriu a própria casa para receber crianças que há mais de 10 anos não têm escola.
“O que falta é a escola de verdade ser construída”, resume.
Em várias localidades, banheiros são improvisados com palha, a água vem de poços contaminados e os professores ensinam turmas multisseriadas sem estrutura mínima. “O rebolado é grande”, diz uma professora, tentando dividir a atenção entre alunos de diferentes idades.
Eleita em 2020 e reeleita em 2024, a atual prefeita Cristiane Varão (PL), ex-professora da rede municipal, prometeu reconstruir as escolas. No entanto, ela própria é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por suspeita de corrupção e desvio de verbas.
“É uma cidade extensa, e não tem como resolver tudo em quatro anos”, afirmou. “Mas temos planejamento para reconstruir todas as escolas que ainda funcionam de forma desumana.”
O caso de Bom Jardim é mais do que um exemplo de má gestão: é um símbolo de como a corrupção destrói o futuro de uma geração inteira. Mesmo com recursos bilionários destinados à educação, crianças continuam estudando sem carteiras, sem merenda e sem dignidade — vítimas de um ciclo de impunidade que parece não ter fim.
Da redação do Portal com informações do G1
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