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Comissão de Justiça aprova empréstimo de R$ 1,5 bilhão, com repasse de 50% para municípios

Para a bancada governista, a proposta de dividir os recursos de um empréstimo com municípios é inconstitucional e não tem como ser efetivada na prática.

Ricardo Lélis

19 de agosto de 2025 às 21:23   - Atualizado às 21:23

Alepe aprova empréstimo.

Alepe aprova empréstimo. Divulgação/ Alepe

O pedido de autorização do empréstimo de até R$ 1,51 bilhão pelo Governo do Estado foi aprovado pela Comissão de Justiça (CCLJ) na reunião desta terça, 19 de agosto.

A proposta acatada pelo Colegiado traz modificações para que metade desse valor (R$ 756 milhões) seja repassado para  projetos apresentados pelos municípios. 

O pedido de empréstimo foi feito pelo Poder Executivo no Projeto de Lei (PL) nº 2692/2025, apresentado em março deste ano.

Além de garantir o repasse para  obras municipais, a versão aprovada insere mecanismos de controle e transparência na execução dos projetos financiados pela operação de crédito. 

Segundo o relator da proposta, deputado Waldemar Borges (MDB), as alterações pretendem impedir o direcionamento político na execução do empréstimo.

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“Temos observado em Pernambuco um direcionamento muito forte dos recursos estaduais apenas para aqueles municípios que fazem parte do campo político da governadora”, disse.

A distribuição de metade do valor para projetos municipais já havia sido inserida numa versão aprovada na Comissão de Finanças  em junho. Mas o parecer da CCLJ incluiu novas mudanças. 

Em vez de disponibilizar o mesmo valor para todas as prefeituras, a distribuição seguirá parâmetros que considerem a redução de desigualdades regionais e o desenvolvimento local.

O texto também determina a criação de um espaço específico no Portal da Transparência para publicar informações da execução financeira do empréstimo, a cada quatro meses.

O relatório apresentado por Waldemar Borges teve os votos favoráveis de Cayo Albino (PSB), Edson Vieira (União), Diogo Moraes (PSDB) e do presidente da Comissão de Justiça, Coronel Alberto Feitosa (PL). 

Feitosa teve que dar o voto de desempate, pois quatro integrantes do colegiado se manifestaram contra as modificações, e a favor do texto original do Poder Executivo: Antônio Moraes (PP), Joãozinho Tenório (PRD), João Paulo (PT) e Wanderson Florêncio (Solidariedade). 

Para a bancada governista, a proposta de  dividir os recursos de um empréstimo com municípios não só é inconstitucional, como sequer pode ser efetivada na prática. 

“Fazer com que as prefeituras recebam recursos que a governadora solicitou para o Estado fere completamente a autonomia do Governo de Pernambuco”, disse o vice-líder de governo, Joãozinho Tenório. Ele também lembrou que municípios já podem contrair seus próprios empréstimos.

Parlamentares governistas também criticaram a demora na tramitação da proposta, que foi enviada em regime de urgência pela governadora em março deste ano. 

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