Superfungo Trichophyton indotineae, que causa micose extensa e resistente a remédios. Créditos: JAMA Dermatology
Um fungo dermatófito chamado Trichophyton indotineae vem preocupando autoridades de saúde na Europa e no Brasil por causar micoses extensas, difíceis de tratar e com alto risco de recaída após o fim do tratamento. Diferentemente das micoses comuns, as infecções por esse superfungo podem se espalhar por grandes áreas da pele, sobretudo região da virilha, coxas, nádegas e, em alguns casos, tronco e rosto.
Identificado inicialmente na Índia por volta de 2014, o Trichophyton indotineae rapidamente se disseminou para países da Ásia, Europa e Estados Unidos, impulsionado por viagens internacionais, uso inadequado de antifúngicos e automedicação. A infecção não costuma ser fatal, mas causa intenso desconforto, coceira persistente, inflamação e impacto importante na qualidade de vida.
Na Europa, serviços de saúde relatam um aumento incomum de casos, especialmente no Reino Unido, onde dermatologistas já descrevem o problema como um “grande desafio emergente”. Pacientes chegam aos consultórios com quadros que lembram micoses comuns, mas não melhoram com os medicamentos de primeira linha, o que levanta a suspeita de infecção pelo superfungo.
O Brasil entrou nesse mapa em 2025, com o primeiro caso confirmado em um homem de 40 anos que vive em Londres e buscou atendimento em Piracicaba (SP) após viagens por vários países europeus. O paciente apresentava lesões avermelhadas e descamativas, que melhoravam durante o uso dos remédios, mas voltavam poucos dias depois da suspensão, um padrão considerado típico dessa nova espécie resistente.
O termo “superfungo” é usado por especialistas para descrever microrganismos que desenvolveram resistência aos medicamentos antifúngicos mais usados, tornando o tratamento longo, caro e, muitas vezes, ineficaz. No caso do Trichophyton indotineae, a resistência à terbinafina, considerada padrão ouro para tratar micoses de pele, é um dos pontos que mais chama atenção.
Além da resistência, o fungo apresenta alta capacidade de transmissão de pessoa para pessoa, o que favorece surtos familiares e em comunidades com contato próximo. Especialistas brasileiros destacam que a combinação de poucos antifúngicos disponíveis, mau uso de medicamentos e mutações naturais cria um cenário ideal para o surgimento e a consolidação desses superfungos.
A infecção pelo Trichophyton indotineae se manifesta, em geral, como uma micose intensa, que pode começar em áreas de atrito, como virilha, coxas e nádegas, e se espalhar progressivamente. As lesões costumam ser:
Um sinal típico é a melhora parcial durante o uso de remédios e a rápida recaída logo após interromper o tratamento, sugerindo resistência do fungo aos medicamentos comuns. Em alguns relatos, o quadro exige meses de acompanhamento dermatológico para controle adequado.
Em países europeus, dermatologistas já observaram transmissões sucessivas entre parentes que compartilham roupas, toalhas ou vivem em espaços pequenos, o que transforma casos isolados em micro-surtos dentro da mesma família. Em muitos serviços, a longa espera por consulta com especialista prolonga o tempo em que o paciente permanece contagioso, dificultando a contenção da infecção.
Esse contexto aumenta o risco de o fungo se tornar endêmico em algumas regiões, circulando de forma constante e silenciosa. Para o Brasil, que já convive com outros superfungos como Candida auris em hospitais, o avanço de um dermatófito resistente amplia a sensação de que as infecções fúngicas estão entrando em uma nova fase de complexidade.
A Organização Mundial da Saúde incluiu fungos resistentes entre os patógenos prioritários, citando o crescimento das infecções fúngicas e a escassez de novos medicamentos como uma ameaça significativa à saúde global. Entre as espécies listadas, figuram tanto fungos do tipo levedura, como Candida auris, quanto dermatófitos responsáveis por micoses de pele, que já se mostram mais difíceis de tratar.
Pesquisadores brasileiros ressaltam que, embora as micoses sejam, em geral, vistas como problemas superficiais e de menor gravidade, a evolução para quadros extensos e recidivantes pode gerar custos elevados, afastamento do trabalho e impacto psicológico. A mensagem central é de vigilância: quanto antes o fungo for identificado, maior a chance de controlar a infecção e reduzir sua disseminação.
Medidas simples de higiene e cuidado com a pele podem ajudar a reduzir o risco de contágio, principalmente em ambientes de calor e umidade, que favorecem proliferação de fungos. Especialistas sugerem atenção especial a hábitos como:
Outro ponto essencial é evitar a automedicação com cremes que misturam antifúngico e corticoide, pois o uso inadequado pode mascarar sintomas e favorecer o desenvolvimento de resistência. A orientação de dermatologistas é seguir rigorosamente o tempo de tratamento indicado, mesmo que as lesões pareçam ter desaparecido antes do prazo.
O surgimento do primeiro caso de Trichophyton indotineae no Brasil é visto como um sinal de alerta para reforçar a vigilância laboratorial e a capacitação de profissionais de saúde na identificação precoce do superfungo. A confirmação diagnóstica depende, muitas vezes, de testes especializados em micologia, o que exige estrutura e investimento em centros de referência.
Em paralelo, cresce a pressão sobre a indústria farmacêutica e agências regulatórias para acelerar o desenvolvimento de novos antifúngicos, já que as opções atuais começam a ser insuficientes diante da resistência crescente. No cenário projetado por especialistas, a próxima década será decisiva para definir se superfungos como o Trichophyton indotineae permanecerão como eventos pontuais ou se tornarão um problema disseminado de saúde pública.
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