Pernambuco, 13 de Fevereiro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Superfungo que causa micose agressiva avança na Europa e acende alerta no Brasil

Trichophyton indotineae, fungo resistente que provoca lesões extensas na pele e recidivas após tratamento, preocupa especialistas com expansão silenciosa da Europa para o Brasil.

Joice Gomes

03 de dezembro de 2025 às 06:25

Superfungo Trichophyton indotineae, que causa micose extensa e resistente a remédios.

Superfungo Trichophyton indotineae, que causa micose extensa e resistente a remédios. Créditos: JAMA Dermatology

Um fungo dermatófito chamado Trichophyton indotineae vem preocupando autoridades de saúde na Europa e no Brasil por causar micoses extensas, difíceis de tratar e com alto risco de recaída após o fim do tratamento. Diferentemente das micoses comuns, as infecções por esse superfungo podem se espalhar por grandes áreas da pele, sobretudo região da virilha, coxas, nádegas e, em alguns casos, tronco e rosto.

Identificado inicialmente na Índia por volta de 2014, o Trichophyton indotineae rapidamente se disseminou para países da Ásia, Europa e Estados Unidos, impulsionado por viagens internacionais, uso inadequado de antifúngicos e automedicação. A infecção não costuma ser fatal, mas causa intenso desconforto, coceira persistente, inflamação e impacto importante na qualidade de vida.

Como o fungo se espalha pelo mundo

Na Europa, serviços de saúde relatam um aumento incomum de casos, especialmente no Reino Unido, onde dermatologistas já descrevem o problema como um “grande desafio emergente”. Pacientes chegam aos consultórios com quadros que lembram micoses comuns, mas não melhoram com os medicamentos de primeira linha, o que levanta a suspeita de infecção pelo superfungo.

O Brasil entrou nesse mapa em 2025, com o primeiro caso confirmado em um homem de 40 anos que vive em Londres e buscou atendimento em Piracicaba (SP) após viagens por vários países europeus. O paciente apresentava lesões avermelhadas e descamativas, que melhoravam durante o uso dos remédios, mas voltavam poucos dias depois da suspensão, um padrão considerado típico dessa nova espécie resistente.

Por que o Trichophyton indotineae é considerado um superfungo

O termo “superfungo” é usado por especialistas para descrever microrganismos que desenvolveram resistência aos medicamentos antifúngicos mais usados, tornando o tratamento longo, caro e, muitas vezes, ineficaz. No caso do Trichophyton indotineae, a resistência à terbinafina, considerada padrão ouro para tratar micoses de pele, é um dos pontos que mais chama atenção.

Veja Também

Além da resistência, o fungo apresenta alta capacidade de transmissão de pessoa para pessoa, o que favorece surtos familiares e em comunidades com contato próximo. Especialistas brasileiros destacam que a combinação de poucos antifúngicos disponíveis, mau uso de medicamentos e mutações naturais cria um cenário ideal para o surgimento e a consolidação desses superfungos.

Sintomas e sinais de alerta na pele

A infecção pelo Trichophyton indotineae se manifesta, em geral, como uma micose intensa, que pode começar em áreas de atrito, como virilha, coxas e nádegas, e se espalhar progressivamente. As lesões costumam ser:

  • Manchas avermelhadas, descamativas e muito pruriginosas (com coceira intensa).
  • Placas que aumentam de tamanho, com bordas ativas e áreas centrais aparentemente mais claras.
  • Regiões inflamadas, que podem doer, incomodar ao caminhar e, em casos prolongados, deixar marcas na pele.

Um sinal típico é a melhora parcial durante o uso de remédios e a rápida recaída logo após interromper o tratamento, sugerindo resistência do fungo aos medicamentos comuns. Em alguns relatos, o quadro exige meses de acompanhamento dermatológico para controle adequado.

Risco de surtos domésticos e impacto na rotina

Em países europeus, dermatologistas já observaram transmissões sucessivas entre parentes que compartilham roupas, toalhas ou vivem em espaços pequenos, o que transforma casos isolados em micro-surtos dentro da mesma família. Em muitos serviços, a longa espera por consulta com especialista prolonga o tempo em que o paciente permanece contagioso, dificultando a contenção da infecção.

Esse contexto aumenta o risco de o fungo se tornar endêmico em algumas regiões, circulando de forma constante e silenciosa. Para o Brasil, que já convive com outros superfungos como Candida auris em hospitais, o avanço de um dermatófito resistente amplia a sensação de que as infecções fúngicas estão entrando em uma nova fase de complexidade.

O que a OMS e especialistas alertam

A Organização Mundial da Saúde incluiu fungos resistentes entre os patógenos prioritários, citando o crescimento das infecções fúngicas e a escassez de novos medicamentos como uma ameaça significativa à saúde global. Entre as espécies listadas, figuram tanto fungos do tipo levedura, como Candida auris, quanto dermatófitos responsáveis por micoses de pele, que já se mostram mais difíceis de tratar.

Pesquisadores brasileiros ressaltam que, embora as micoses sejam, em geral, vistas como problemas superficiais e de menor gravidade, a evolução para quadros extensos e recidivantes pode gerar custos elevados, afastamento do trabalho e impacto psicológico. A mensagem central é de vigilância: quanto antes o fungo for identificado, maior a chance de controlar a infecção e reduzir sua disseminação.

Como se proteger no dia a dia

Medidas simples de higiene e cuidado com a pele podem ajudar a reduzir o risco de contágio, principalmente em ambientes de calor e umidade, que favorecem proliferação de fungos. Especialistas sugerem atenção especial a hábitos como:

  • Manter as áreas de dobras (virilha, axilas, pés) limpas e bem secas após o banho.
  • Evitar compartilhar toalhas, roupas íntimas, roupas esportivas e itens pessoais em casa ou em academias.
  • Lavar roupas, meias e roupas de cama em água quente quando houver casos de micose ativa no domicílio.
  • Procurar atendimento médico sempre que uma micose não melhorar com o tratamento inicial ou piorar rapidamente.

Outro ponto essencial é evitar a automedicação com cremes que misturam antifúngico e corticoide, pois o uso inadequado pode mascarar sintomas e favorecer o desenvolvimento de resistência. A orientação de dermatologistas é seguir rigorosamente o tempo de tratamento indicado, mesmo que as lesões pareçam ter desaparecido antes do prazo.

Desafios para o sistema de saúde e o futuro

O surgimento do primeiro caso de Trichophyton indotineae no Brasil é visto como um sinal de alerta para reforçar a vigilância laboratorial e a capacitação de profissionais de saúde na identificação precoce do superfungo. A confirmação diagnóstica depende, muitas vezes, de testes especializados em micologia, o que exige estrutura e investimento em centros de referência.

Em paralelo, cresce a pressão sobre a indústria farmacêutica e agências regulatórias para acelerar o desenvolvimento de novos antifúngicos, já que as opções atuais começam a ser insuficientes diante da resistência crescente. No cenário projetado por especialistas, a próxima década será decisiva para definir se superfungos como o Trichophyton indotineae permanecerão como eventos pontuais ou se tornarão um problema disseminado de saúde pública.

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

04:54, 13 Fev

Imagem Clima

24

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Jovem de 16 anos perde ação judicial.
Decisão

Jovem de 16 anos que afirma ser virgem perde ação na Justiça após exame indicar gravidez

Tribunal entende que laboratório não teve responsabilidade pelo procedimento médico realizado após resultado positivo no teste de gravidez.

Virus Nipah
Saúde

Vírus Nipah preocupa no Brasil? Entenda se há risco real às vésperas do carnaval

O tema ganhou atenção especial entre os brasileiros, e as buscas pela doença no Google dispararam.

Secretário municipal na esquerda, os dois filhos abaixo, companheira acima, filha do prefeito de Itumbiara, que está ao lado.
Tristeza

Prefeito tem infarto após saber que genro, secretário municipal, se matou depois de assassinar netos

De acordo com informações preliminares, o gestor do município foi socorrido às pressas e encaminhado para um hospital e tem estado de saúde considerado grave.

mais notícias

+

Newsletter