Profissional de saúde orienta paciente sobre uso correto de antibiótico. Foto: Freepik
O consumo elevado de antibióticos desperta preocupação entre profissionais da saúde. Eles apontam que tanto a automedicação quanto a prescrição inadequada favorecem o surgimento de bactérias resistentes, complicando o tratamento de infecções.
Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado no Brasil, cerca de uma em cada seis infecções bacterianas confirmadas não responde aos antibióticos de uso comum. Isso significa que o que antes era uma infecção simples pode se tornar um problema grave ou até mortal.
No Brasil, levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) em parceria com o Instituto Qualisa de Gestão (IQG) em 104 hospitais revelou que cerca de 87,7% das unidades ainda fazem uso empírico de antibióticos ou seja, prescrevem sem base em exame específico. Além disso, em cerca de 20% das unidades a dosagem dos medicamentos não foi ajustada de forma correta.
Profissionais explicam que esses dados preocupam porque, quando o antibiótico é utilizado de modo inadequado por dose errada, prescrição desnecessária ou interrupção precoce do tratamento, as bactérias mais frágeis morrem, enquanto as mais resistentes sobrevivem. Estas últimas se multiplicam e podem disseminar resistência ao tratamento.
Além disso, o uso elevado de antibióticos tem impacto ambiental. Um estudo recente estimou que quase 30% das doses consumidas por humanos acabam transformadas em poluentes nos rios, contribuindo para a proliferação de organismos resistentes fora dos hospitais.
Entre as causas apontadas para o consumo exagerado, destacam-se expectativas dos pacientes em receber medicação rápida, consultas muito curtas e pressão por resultados imediatos, conforme análise do Ministério da Saúde.
Profissionais de saúde orientam que os antibióticos devem ser usados apenas com prescrição médica, para infecções bacterianas confirmadas, e que o tratamento deve ser completado conforme indicado. Um exemplo disso: muitos resfriados e gripes são causados por vírus e não por bactérias nesses casos, a medicação não apenas é inútil, como pode causar danos.
Em hospitais públicos e privados, exige-se maior atenção aos protocolos internos: verificar necessidade, escolher o medicamento certo, ajustar a dose conforme a pessoa e a infecção, seguir o tempo determinado e descartar corretamente as sobras ou resíduos. A SBI reforça que a prescrição empírica sem exames é uma falha grave.
Com uso indiscriminado, o que antes era um tratamento simples pode se tornar prolongado, mais caro, com maior risco de complicações ou até mesmo sem opção de antibiótico eficaz. A OMS já considera a resistência antimicrobiana como uma “crise silenciosa”.
Profissionais da saúde pedem à população que evite usar antibióticos sem orientação, que siga corretamente a prescrição, e que os gestores reforcem protocolos estruturados para garantir que esses medicamentos sejam usados com responsabilidade e segurança.
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