Idosa escuta música com fones em momento de lazer doméstico. Foto: Freepik
Idosos que mantêm o hábito de ouvir música apresentam uma queda substancial no risco de desenvolver demência, sugere estudo recente liderado por pesquisadores da Monash University, na Austrália. A investigação acompanhou 10.893 pessoas com 70 anos ou mais, todas sem diagnóstico de demência no início, e identificou que aquelas que declararam ouvir música “sempre” tinham cerca de 39% menos chance de serem diagnosticadas com demência ao longo do acompanhamento.
O estudo avaliou também os efeitos de tocar instrumento musical. Os participantes que informaram praticar um instrumento regularmente apresentaram uma redução de aproximadamente 35% no risco de demência. Ainda mais: quem combinou ouvir música e tocar instrumento teve um risco menor em torno de 33% para demência e cerca de 22% para comprometimento cognitivo leve.
A pesquisa enfocou a atividade musical como parte de uma rotina mais ampla de lazer. A escuta frequente de música em oposição a “raramente” ou “às vezes” correlacionou-se não só com menor incidência de demência, mas também com pontuações mais elevadas em testes de cognição global e memória episódica (capacidade de lembrar acontecimentos do dia-a-dia). Os autores ressaltaram, no entanto, que o estudo não demonstra relação de causa e efeito, ou seja, não garante que ouvir música por si só impeça demência.
A relevância desse achado se intensifica diante do envelhecimento populacional. Conforme os autores, o envelhecimento cerebral não depende apenas da idade e da genética: fatores ligados ao estilo de vida como a participação em atividades musicais também podem influenciar. Para os pesquisadores, ouvir música ou tocar instrumento aparece como uma estratégia acessível e prazerosa de promoção da saúde cerebral em adultos mais velhos.
Mais em detalhe, o estudo utilizou dados do subestudo ALSOP da pesquisa maior ASPREE (Aspirin in Reducing Events in the Elderly), composto por participantes com 70 anos ou mais, que viviam em comunidade, sem demência no início do estudo. A comparação entre “sempre ouviu música” e “nunca/raramente/às vezes” demonstrou a maior redução no risco no grupo mais ativo musicalmente. Outro aspecto: o efeito foi mais forte entre aqueles com nível de escolaridade mais elevado (mais de 16 anos de estudo) do que entre pessoas com escolaridade média ou menor.
Embora os resultados sejam promissores, os autores avisam que ouvir música não substitui cuidados médicos, controle de hipertensão, diabetes ou outros fatores, nem garante imunidade à demência. O foco está em adicionar a música como componente de um estilo de vida que favorece o cérebro, ao lado de alimentação saudável, atividade física, sono de qualidade e controle de fatores de risco.
Para idosos ou cuidadores, a mensagem é clara: dedicar alguns momentos do dia a ouvir músicas de preferência gostadas, estimulantes e bem audíveis, pode trazer benefícios adicionais à saúde mental. Mesmo simples rotinas como incluir playlists regulares ou participar de cantos em grupo podem compor essa estratégia. Também tocar um instrumento, mesmo que de forma amadora, aparece como complemento valioso. A prática pode funcionar como estímulo cognitivo, engajando várias partes do cérebro enquanto oferece prazer e conexão emocional.
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