No Brasil, estima-se que cerca de 28 milhões de pessoas convivam com o zumbido, segundo dados divulgados pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia.
04 de novembro de 2026 às 21:44 - Atualizado às 22:22
Foto: Reprodução /Redes Sociais
Para milhões de pessoas, um apito constante, um chiado que parece não ter fim ou um incômodo desproporcional diante de sons comuns do cotidiano fazem parte da rotina e podem interferir no sono, na concentração, no trabalho e até nas relações pessoais. Durante o Novembro Laranja, campanha nacional de conscientização sobre a saúde auditiva, especialistas reforçam a importância de reconhecer esses sinais e procurar atendimento médico.
No Brasil, estima-se que cerca de 28 milhões de pessoas convivam com o zumbido, segundo dados divulgados pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. O sintoma, caracterizado pela percepção de sons sem uma fonte sonora externa, pode estar associado a diferentes alterações do organismo, especialmente do sistema auditivo. Embora bastante frequente, ainda é cercado de dúvidas e, muitas vezes, negligenciado pelos próprios pacientes.
A médica otorrinolaringologista Lívia Noleto, relata que um dos principais desafios é combater a ideia de que o zumbido representa uma condição inevitável, especialmente com o avanço da idade.
“É muito comum receber pacientes que convivem há anos com o zumbido porque acreditam que não existe tratamento ou que precisam simplesmente se acostumar com aquele som. Mas o zumbido é um sintoma que merece investigação. Precisamos entender o que está provocando essa percepção sonora, avaliar a saúde auditiva e identificar os fatores que podem estar contribuindo para o problema. A partir disso, conseguimos estabelecer estratégias de tratamento que podem melhorar bastante a qualidade de vida”, explica a especialista.
Além do zumbido, o Novembro Laranja chama atenção para duas condições ainda pouco conhecidas pela população: a misofonia e a hiperacusia. Embora ambas envolvam intolerância a sons, apresentam características diferentes e exigem avaliação específica.
Na misofonia, determinados ruídos, como mastigação, respiração, estalos ou sons repetitivos, podem provocar reações emocionais intensas, incluindo irritação, ansiedade e desconforto. Já na hiperacusia, sons considerados normais pela maioria das pessoas são percebidos como excessivamente altos ou desconfortáveis.
“Em alguns casos, a pessoa começa a evitar restaurantes, reuniões familiares, ambientes de trabalho e situações sociais porque não consegue lidar com determinados estímulos sonoros. Isso pode provocar isolamento e sofrimento emocional. Por isso, é fundamental compreender que estamos falando de condições que precisam ser acolhidas e avaliadas adequadamente”, explica a médica.
A preocupação com a saúde auditiva ganha ainda mais importância diante dos hábitos contemporâneos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um bilhão de jovens adultos estão expostos ao risco de perda auditiva permanente e evitável em decorrência de práticas inseguras de escuta, como o uso prolongado de fones de ouvido em volumes elevados e a exposição frequente a ambientes com som intenso.
A OMS também projeta que, até 2050, aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas poderão apresentar algum grau de perda auditiva, das quais mais de 700 milhões precisarão de serviços de reabilitação. Embora perda auditiva, zumbido e intolerância a sons sejam condições distintas, esses números reforçam a necessidade de ampliar as políticas de prevenção e os cuidados com a audição.
Ainda segundo a especialista, medidas simples, como controlar o volume dos fones de ouvido, fazer pausas durante a exposição a ruídos intensos e utilizar proteção auditiva em ambientes realmente barulhentos, podem ajudar a preservar a audição. A médica ressalta, porém, que a proteção excessiva em ambientes cotidianos pode ser inadequada para alguns pacientes com hiperacusia, tornando indispensável a orientação profissional.
“Não existe uma única solução para todos os pacientes. O tratamento depende da causa, da intensidade dos sintomas e do impacto que eles provocam na vida de cada pessoa. Podemos trabalhar com acompanhamento otorrinolaringológico, avaliação audiológica, terapias sonoras, aparelhos auditivos quando indicados e abordagens psicológicas específicas. O mais importante é não abandonar a busca por ajuda e compreender que existem caminhos para reduzir o sofrimento”, afirma.
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O remédio só era disponível no Brasil na forma de solução injetável para administração subcutânea.
Os exames terão início às 8h e seguirão durante o período da tarde. O atendimento será realizado por ordem de chegada, conforme a disponibilidade do serviço itinerante.
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