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Ministério da Saúde alerta para doenças negligenciadas que ainda causam mortes no Brasil

Enfermidades evitáveis seguem ativas em regiões vulneráveis e provocam mortes e sequelas silenciosas.

Pollyana Leite

28 de dezembro de 2025 às 17:10   - Atualizado às 17:13

Agente de saúde atua em área vulnerável no combate a doenças negligenciadas no Brasil.

Agente de saúde atua em área vulnerável no combate a doenças negligenciadas no Brasil. Foto: Reprodução/IA

O Ministério da Saúde chama atenção para um grupo de doenças que continuam presentes no cotidiano de milhares de brasileiros, mas raramente ganham destaque no noticiário. Essas enfermidades recebem o nome de doenças negligenciadas porque afetam principalmente populações pobres, vivem à margem das grandes campanhas de saúde e avançam de forma silenciosa. Mesmo com prevenção e tratamento disponíveis, muitas pessoas só descobrem o problema quando surgem complicações graves ou irreversíveis.

Entre as doenças listadas pelo Ministério da Saúde, a doença de Chagas segue como uma das mais preocupantes. A enfermidade tem como principal forma de transmissão o contato com o barbeiro, inseto comum em áreas rurais. Muitas pessoas convivem com o parasita por anos sem perceber qualquer sintoma. O problema surge quando a doença atinge o coração, causando alterações graves que podem levar à morte. O diagnóstico precoce reduz riscos, mas a falta de acesso a exames dificulta o controle em comunidades afastadas.

A hanseníase também aparece como um desafio persistente no país. O Brasil ocupa posição de destaque negativo no cenário mundial, com transmissão ativa em diversos estados. A doença afeta a pele e os nervos, e o atraso no diagnóstico aumenta o risco de sequelas permanentes, como perda de sensibilidade e deformidades físicas. O tratamento gratuito existe no sistema público, mas o preconceito e a desinformação ainda afastam pessoas dos serviços de saúde.

Outra enfermidade citada pelo Ministério da Saúde é a esquistossomose. A doença tem relação direta com a falta de saneamento básico e o contato com água contaminada. A infecção atinge principalmente populações ribeirinhas e moradores de áreas onde não há coleta de esgoto. Com o tempo, o parasita pode causar danos ao fígado e levar a quadros graves. A prevenção depende de melhorias estruturais e de ações educativas, que ainda não alcançam todas as regiões.

A leishmaniose visceral representa uma das doenças mais letais desse grupo. Transmitida pelo mosquito-palha, a infecção registra milhares de casos todos os anos, sobretudo no Nordeste. Sem tratamento rápido, a doença pode evoluir de forma agressiva e levar à morte. Crianças e idosos enfrentam maior risco, especialmente em áreas com condições precárias de moradia e acúmulo de lixo, que favorecem a proliferação do vetor.

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Além da forma visceral, o boletim também destaca a leishmaniose tegumentar. Essa versão da doença provoca feridas na pele e pode atingir mucosas, como nariz e boca. As lesões costumam deixar marcas visíveis e podem causar desfiguração quando o tratamento não ocorre a tempo. A doença aparece com frequência em regiões rurais, áreas de mata e locais de expansão urbana desordenada.

A lista do Ministério da Saúde inclui ainda a filariose linfática, conhecida popularmente por causar linfedema e elefantíase. Embora o país tenha avançado no controle da doença, ela ainda persiste em áreas vulneráveis. A infecção compromete o sistema linfático e pode provocar inchaços permanentes nos membros, afetando a mobilidade e a qualidade de vida das pessoas.

O boletim também menciona o tracoma, uma infecção ocular causada por bactéria. A doença se espalha principalmente em locais com acesso limitado à água e higiene inadequada. Quando não tratada, a infecção pode levar à cegueira, reforçando o impacto das desigualdades sociais na saúde pública.

O Ministério da Saúde reforça que todas essas doenças têm relação direta com pobreza, falta de informação e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. A identificação precoce, o acompanhamento médico e ações de prevenção reduzem mortes e sequelas. O enfrentamento dessas enfermidades exige políticas públicas contínuas, melhoria das condições de vida e fortalecimento da atenção básica, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país.

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