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Lichia faz mal? Veja quando a fruta pode oferecer riscos à saúde

Casos raros levantaram alertas sobre a fruta; entenda em quais situações o consumo exige atenção, segundo estudos científicos.

Pollyana Leite

27 de dezembro de 2025 às 21:23   - Atualizado às 21:25

Lichias frescas colhidas no período de safra, quando a fruta atinge cor intensa e sabor mais adocicado.

Lichias frescas colhidas no período de safra, quando a fruta atinge cor intensa e sabor mais adocicado. Foto: Freepik

A lichia aparece com frequência em cestas de frutas tropicais e chama atenção por sua doçura e textura suculenta. A maior parte das pessoas come a fruta sem problema, mas nos últimos anos surgiu uma polêmica sobre possíveis efeitos adversos do seu consumo. Para entender de forma clara e sem alarmismo, é preciso separar os fatos científicos dos mitos.

A fruta Litchi chinensis é nativa da Ásia e se espalhou por várias regiões tropicais do mundo. Ela oferece nutrientes como vitamina C, fibras e minerais que beneficiam o organismo, especialmente quando inserida numa alimentação equilibrada. 

No entanto, a lichia ganhou atenção internacional depois que pesquisas ligaram seu consumo a surtos de uma doença neurológica grave em crianças na Índia. Entre os anos 1990 e 2010, relatos de convulsões, perda de consciência e até mortes surgiram em regiões com grande produção e ingestão da fruta

Estudos investigativos, incluindo trabalhos analisados por revistas científicas, identificaram dois compostos naturais dentro da fruta que podem interferir no metabolismo da glicose: a hipoglicina A e a metileneciclopropil glicina (MCPG). Esses compostos ocorrem em maior concentração nas sementes e em frutos não totalmente maduros. 

Em situações específicas como jejum prolongado e baixo aporte energético, esses compostos podem dificultar a liberação de energia a partir de reservas de glicose no corpo. O resultado pode ser uma queda rápida do açúcar no sangue, condição chamada hipoglicemia, que em casos graves pode afetar o cérebro. Foi esse mecanismo que pesquisadores associaram aos casos graves observados em crianças desnutridas que consumiram muitas lichias com o estômago vazio durante a safra. 

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Importante destacar que esses eventos não ocorreram entre pessoas saudáveis que consomem a fruta em quantidades normais como parte da dieta. A maioria dos relatos adversos envolveu contextos de vulnerabilidade nutricional combinados com grandes quantidades de fruta imatura ou sementes ingeridas.

Nutricionistas consultados em revistas de saúde afirmam que a lichia, em geral, é segura quando ingerida depois de refeições e em quantidades moderadas. Comer a fruta madura e evitar as sementes reduz substancialmente os riscos relatados.

Além dos compostos que podem afetar a glicose, a lichia contém açúcares naturais. Pessoas com diabetes ou outras condições que influenciam o açúcar no sangue podem precisar monitorar o consumo e conversar com um profissional de saúde para ajustar a quantidade ideal na dieta.

O consumo excessivo de açúcar presente na polpa também merece atenção. Embora a fruta seja rica em vitamina C e outros micronutrientes, ela não é isenta de carboidratos simples, e por isso o equilíbrio com outros alimentos é uma recomendação comum entre especialistas.

Há relatos, embora raros, de reações alérgicas à lichia em algumas pessoas, incluindo irritação na pele ou sintomas mais intensos em indivíduos sensíveis. Esse tipo de resposta não é comum, mas reforça a ideia de que cada organismo pode reagir de modo diferente a alimentos. 

A pesquisa sobre a lichia ainda carece de mais estudos controlados em humanos que avaliem seus efeitos específicos em diferentes grupos populacionais e em contextos de saúde variados. Por enquanto, as evidências existentes indicam que, fora de situações extremas como o jejum prolongado em crianças desnutridas que consumiram grandes quantidades, a fruta não apresenta risco significativo para a maioria da população.

Consumir a lichia como parte de uma alimentação variada, evitar exageros e escolher a fruta madura são práticas que se alinham com as recomendações de saúde pública e com o que a ciência até agora confirma. 

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