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Médico diz que cogitou suspender tratamento e deixar papa Francisco morrer

Sergio Alfieri, chefe da equipe que cuidou do pontífice, afirmou que não desistiu após pedido de assistente.

Ricardo Lélis

25 de março de 2025 às 18:01   - Atualizado às 18:01

Santo Padre, Papa Francisco

Santo Padre, Papa Francisco Foto: Divulgação

O médico Sergio Alfieri, chefe da equipe que cuidou do papa Francisco no Hospital Gemelli, em Roma, Itália, disse nesta terça-feira, 25 de março, em entrevista ao jornal Corriere Della Sera, que no momento mais crítico do tratamento do pontífice, foi cogitado suspender o tratamento e deixar Francisco morrer, uma vez que ele estava sofrendo bastante.

"Tivemos que escolher entre parar e deixá-lo ir ou forçá-lo e tentar todos os medicamentos e terapias possíveis, correndo o risco muito alto de danificar outros órgãos. E no final nós tomamos esse caminho", revelou Alfieri.

De acordo o médico, a pior noite foi em 28 de fevereiro, quando o papa sofreu uma crise respiratória com vômitos.

"Pela primeira vez vi lágrimas nos olhos de algumas pessoas ao seu redor."

Segundo ele, o pontífice estava totalmente consciente durante todo o processo.

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"Estávamos saindo do período mais difícil, enquanto o papa Francisco comia ele teve uma regurgitação e inalou. Foi o segundo momento realmente crítico porque nesses casos - se não forem socorridos prontamente - há risco de morte súbita, além de complicações nos pulmões, que já eram os órgãos mais comprometidos. Foi terrível, realmente achamos que não conseguiríamos."

Alfieri também explicou que o papa delegou as decisões a seu assistente médico pessoal, Massimiliano Strappetti, em quem tem total confiança.

"Strappetti nos disse: tente de tudo, não desista e ninguém desistiu", disse Alfieri.

Francisco continua o seu tratamento, que inclui remédios e fisioterapias, especialmente a reabilitação respiratória "para recuperar totalmente o uso da respiração e da fala", disse o Vaticano aos jornalistas, sem especificar quando o papa fará a sua próxima aparição pública.

Após 38 dias de internação por pneumonia bilateral, ele regressou no domingo (23) à Casa de Santa Marta, residência onde vive.

O papa concelebra a missa na capela localizada no segundo andar do edifício, mas nos últimos dois dias não recebeu visitantes "além dos seus colaboradores mais próximos", disse o Vaticano.

Francisco não presidirá a tradicional audiência geral semanal nesta quarta-feira, 26, e o texto da sua catequese será transmitido por escrito, informou o Vaticano, observando que "provavelmente" também não estará presente na oração do Angelus no próximo domingo, 30.

A primeira aparição pública desde a sua internação, no dia 14 de fevereiro, foi no último domingo, quando Jorge Mario Bergoglio apareceu debilitado e com a voz frágil, cumprimentando a multidão da varanda do hospital. (Com agências internacionais).

Estadão Conteúdo

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