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Evangelista afirma que música "Auê" é 'incompatível com a fé cristã e espiritualmente perigosa'

Um dos trechos mais polêmicos da música cita "Zé" e "Maria", que para muitos cristãos faz referência a entidades da Umbanda.

Cami Cardoso

04 de fevereiro de 2026 às 08:34   - Atualizado às 09:37

Evangelista afirma que música "Auê" é 'incompatível com a fé cristã e espiritualmente perigosa'

Evangelista afirma que música "Auê" é 'incompatível com a fé cristã e espiritualmente perigosa' Foto: Divulgação

A letra da música “Auê – A fé venceu”, do Coletivo Candiero, continua dando o que falar. Desta vez, após repercussão negativa no meio cristão, o evangelista e ministro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Estado de Alagoas, Paulo Nascimento, afirmou com firmeza que a faixa é “incompatível com a fé cristã”.

Para embasar seu posicionamento, o religioso fez uma análise da letra da canção e destacou alguns trechos. O primeiro deles diz: “Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar. Com minhas roupas, minhas falhas, minhas brigas/birras”.

Para o evangelista, o trecho promove uma “autoaceitação absoluta, sem ruptura moral, sem conversão e sem santificação, o que contradiz frontalmente o evangelho”.

“Biblicamente, Deus recebe o pecador, mas não legitima o pecado. Jesus diz: ‘Vai e não peques mais’ (Jo 8.11). A graça que salva é também a graça que ensina a renunciar à impiedade (Tt 2.11-12). A letra promove uma espiritualidade de autoaceitação absoluta, sem ruptura moral, sem conversão e sem santificação, o que contradiz frontalmente o evangelho”, escreveu em seu artigo.

Zé e Maria na letra

Outro ponto polêmico da música é o uso dos nomes Zé e Maria. O evangelista Paulo aponta que, no contexto religioso em que o Brasil está inserido, a escolha não seria por acaso, destacando a relação desses nomes com tradições e religiões afro-brasileiras, geralmente associadas à Umbanda.

Segundo ele, o nome “Maria” não faria referência à personagem bíblica, mas à “iconografia e corporalidade ritual de entidades femininas”, como as pombagiras.

Para o religioso, “ocorre uma ressignificação religiosa consciente, em que símbolos cristãos são absorvidos e reinterpretados segundo outra cosmovisão espiritual”.

Ritos de transe

O assembleiano também cita a estrutura ritualística da letra, marcada por repetições hipnóticas, linguagem não semântica e convite à dança circular, como cirandas. Em seu artigo, Paulo afirma que esses elementos são comuns a ritos de transe, e não ao culto cristão.

Vale destacar que os ritos de transe são práticas ritualísticas comuns em religiões de matriz africana, podendo envolver dança e música. Esses ritos buscam induzir os praticantes a estados alterados de consciência para uma “aproximação maior com o sagrado”.

Negação ao cristianismo

Em sua avaliação final, o religioso classifica a música “Auê – A fé venceu”, do Coletivo Candiero, como antibíblica e espiritualmente perigosa, aproximando-se mais do espiritismo e da Umbanda do que do cristianismo bíblico.

“Ainda que revestida de linguagem estética, inclusão emocional e ‘fé’, a letra não glorifica o Deus revelado nas Escrituras, mas promove uma espiritualidade alternativa, na qual o centro não é Cristo, mas a experiência subjetiva e ritual. Trata-se, portanto, de uma tentativa de espiritualização artística com forte carga espírita, incompatível com a fé cristã histórica e com o evangelho de Jesus Cristo.”

A análise completa do Evangelista Paulo Nascimento está disponível no site oficial da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Estado de Alagoas. 

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