Pernambuco, 13 de Fevereiro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Estudantes evangélicos são proibidos de realizar "intervalos bíblicos" em universidade; saiba qual

ANAJURE enviou uma notificação extrajudicial ao Reitor, afirmando que o episódio foi uma violação da liberdade religiosa dos universitários.

Portal de Prefeitura

16 de março de 2025 às 10:29   - Atualizado às 10:48

Imagem ilustrativa. (Foto: Secom/Udesc)

Imagem ilustrativa. (Foto: Secom/Udesc) Foto Montagem/Portal de Prefeitura

Um grupo de estudantes evangélicos da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) foi impedido de continuar suas reuniões semanais de oração e estudo bíblico, conhecidas como “intervalos bíblicos”. Desde 2016, a rede internacional de estudantes e profissionais “CRU UDESC” realiza essas reuniões, em espaços de uso comum no campus, com a participação média de 10 universitários por encontro. Essas reuniões acontecem em outras universidades renomadas ao redor do mundo, como a Universidade de Harvard e a USP, sem causar interrupções nas atividades acadêmicas.

No entanto, em dezembro de 2024, a Diretora-Geral do Centro de Artes, Design e Moda (CEART), Daiane Dordete Steckert Jacobs, convocou os participantes do CRU para uma reunião online, onde comunicou a proibição dos encontros no espaço do CEART, alegando que as reuniões violavam a laicidade do Estado e da UDESC. A diretora ainda ameaçou impor sanções disciplinares, acionar o Ministério Público e interromper os encontros com a ajuda da segurança.

Em resposta às ameaças, os estudantes suspenderam os encontros e desativaram a página do CRU UDESC no Instagram. Para defender sua liberdade religiosa, o grupo procurou a Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE), que agora busca garantir os direitos constitucionais dos estudantes.

Notificação extrajudicial e defesa da liberdade religiosa

Na última quarta-feira (12), a ANAJURE enviou uma notificação extrajudicial ao Reitor da UDESC, afirmando que o episódio foi uma violação da liberdade religiosa dos universitários e pedindo que a proibição fosse retirada imediatamente. No documento, a ANAJURE esclareceu que a laicidade não significa a exclusão da religião da esfera pública, mas sim a garantia da expressão de todas as crenças religiosas nos espaços públicos.

"A realização dos encontros religiosos do coletivo estudantil no espaço universitário em nada viola a laicidade da UDESC", afirmou a Associação, acrescentando que o grupo promove encontros voluntários liderados pelos próprios alunos, sem ligação com nenhuma organização religiosa. "A Diretora-Geral se utilizou do poder administrativo para impedir o pleno exercício da liberdade religiosa dos alunos da UDESC", denunciou a ANAJURE.

Veja Também

Discriminação religiosa

A ANAJURE observou que existem outros coletivos religiosos realizando encontros na universidade, como o grupo católico GOU, e que apenas o coletivo evangélico foi proibido. A notificação ainda citou que diversos eventos de religiões de matriz africana já aconteceram na UDESC, como a apresentação “Sambas da Macumba”, em novembro de 2023, e “Tambor de Crioula” e Roda de Capoeira Africanamente, em novembro de 2024.

“É contraditório, portanto, que pontos e cantigas de cunho religioso possam ser publicamente entoados na UDESC para reverência e celebração de orixás, mas alunas evangélicas sejam proibidas de se reunirem, de forma discreta e voluntária”, afirmou a ANAJURE.

Para a Associação, a Diretora-Geral do CEART cometeu discriminação religiosa contra o grupo evangélico. "É notório que a UDESC permite manifestações de cunho religioso dentro de seu ambiente acadêmico, multiplicando-se os eventos e pesquisas relacionadas a outras crenças religiosas (muitos integrados pela Diretora-Geral da UDESC), bem como coletivos de caráter religioso, contrastando com a proibição imposta às reuniões especificamente evangélicas, evidenciando tratamento discriminatório, o que pode configurar hipótese de crime de discriminação religiosa", ressaltou.

A ANAJURE cobrou que a universidade garanta a liberdade religiosa e o direito de reunião aos integrantes do CRU. Além disso, solicitou que os estudantes não sofram possíveis punições administrativas.

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

07:42, 13 Fev

Imagem Clima

25

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

A denominação, liderada pelo pastor André Valadão, possui mais de 700 filiais no Brasil e no exterior.
Religião

Lagoinha suspende cultos presenciais por tempo indeterminado em Los Angeles; saiba motivo

A denominação, liderada pelo pastor André Valadão, possui mais de 700 filiais no Brasil e no exterior.

Igreja fundada por ex-jogador da seleção brasileira se torna alvo de busca e apreensão na Justiça
Religião

Igreja fundada por ex-jogador da seleção brasileira se torna alvo de busca e apreensão na Justiça

O Caso envolve os novos líderes da Manah Church, que têm ações judiciais em andamento por dívidas significativas.

Pastor Silas Malafia no evento evangélico The Send Brasil 2026, na Arena Pernambuco.
Pernambuco

Sintepe denuncia pastor Silas Malafaia ao MPPE por ataque a professores em discurso no The Send

Durante o evento, o religioso afirmou que os estudantes estão sendo "enganados pelos professores", recorrendo à narrativa do "marxismo cultural".

mais notícias

+

Newsletter