Coca-Cola proíbe frases cristãs em latas personalizadas, mas libera ofensas e "Deus está morto" Foto: Divulgação
Uma polêmica envolvendo a ferramenta digital de personalização de latinhas da Coca-Cola nos Estados Unidos levou a multinacional a suspender temporariamente o serviço em sua plataforma oficial.
O caso ganhou forte repercussão nas redes sociais após usuários testarem o sistema e constatarem que termos e frases de cunho cristão eram sistematicamente bloqueados por diretrizes de moderação, enquanto expressões de caráter ofensivo ou referências a outras crenças conseguiam passar pelo filtro sem nenhuma restrição.
A repercussão inicial motivou dezenas de criadores de conteúdo e portais de notícias a realizarem testes práticos na página interativa da marca. A ferramenta, projetada exclusivamente para o mercado norte-americano, permitia que os consumidores gravassem nomes ou frases curtas nas icônicas embalagens vermelhas da bebida.
Contudo, a experiência revelou critérios de bloqueio controversos que geraram forte debate público sobre liberdade de expressão e moderação de conteúdo corporativo.
Durante os testes realizados por equipes de jornalismo e internautas, frases clássicas da fé cristã em inglês, como “Jesus is good” [Jesus é bom], “Jesus is the Lord” [Jesus é o Senhor] e “Jesus is King” [Jesus é Rei], foram prontamente barradas pelo sistema automatizado.
Ao recusar os termos, a própria interface da plataforma exibia uma mensagem justificando a decisão:
“O nome ou frase que você enviou não é permitido. Nomes e frases podem não ser permitidos se pertencerem a uma empresa, organização... forem de natureza religiosa ou política, ou puderem ser considerados inadequados ou impróprios por outros motivos”.
O que gerou maior indignação e estranheza entre os consumidores, no entanto, foi a aparente seletividade do filtro de segurança. Enquanto o nome e os preceitos cristãos sofriam bloqueio rigoroso sob a justificativa de neutralidade religiosa, o sistema demonstrava brechas alarmantes ao aceitar expressões provocativas ou contrárias à fé cristã, tais como “God is Dead” [Deus está morto], “Satan is good” [Satanás é bom], “The Devil is king” [O Diabo é rei], além de variações pejorativas como “Jesus is evil” [Jesus é mal].
Além disso, referências a figuras de outras tradições espirituais e filosóficas, a exemplo de “Buddha bless” [Que Buda abençoe], “Mohammed is good” [Maomé é bom] e “Baphomet is the lord” [Bafomé é o senhor], conseguiam ser impressas sem qualquer oposição por parte do algoritmo de moderação da empresa.
Outro detalhe técnico descoberto durante a testagem do site foi a limitação geográfica e linguística do filtro automatizado. Como a plataforma de customização opera estritamente voltada para o público dos Estados Unidos, os bloqueios ocorriam predominantemente em língua inglesa.
Usuários brasileiros que acessavam o ambiente virtual e digitavam em português frases como “Jesus é bom” ou “Jesus é o Senhor” conseguiam burlar o sistema, uma vez que o algoritmo não aplicava as mesmas restrições a outros idiomas.
Diante da avalanche de críticas, do debate acalorado nas redes sociais e da repercussão negativa gerada pela disparidade de critérios na moderação das frases, a Coca-Cola optou por agir de forma preventiva. A companhia decidiu suspender temporariamente a ferramenta de personalização.
Atualmente, os consumidores que acessam a página oficial encontram apenas um aviso informando que o serviço de personalização das latinhas está temporariamente esgotado, interrompendo as atividades até que uma revisão nos parâmetros do sistema seja realizada.
Circula nas redes sociais vários vídeos comentando sobre a plataforma da Coca-Cola para personalizar latinhas que não permite utilizar termos cristãos, mas aceita termos de outras religiões e até mesmo contrários a Jesus Cristo. O Pleno.News testou o sistema com diversas frases e, de fato, o a personalização das latas de Coca-Cola bloqueia frases religiosas como "Jesus is good" [Jesus é bom], "Jesus is the Lord" [Jesus é o Senhor] ou "Jesus is King" [Jesus é Rei]Leiliane Lopes - 12/08/2026 14h44 | atualizado em 12/08/2026 17h20


