O prefeito João Campos se disse tranquilo quanto ao caso e negou erros sobre a nomeação que ganhou imensa repercussão negativa.
03 de janeiro de 2026 às 08:07 - Atualizado em 04 de janeiro de 2026 às 23:09
PT de Pernambuco se manifesta sobre o caso do concurso na Prefeitura do Recife Foto: Divulgação
O Partido dos Trabalhadores em Pernambuco (PT-PE) divulgou posicionamento público através do vice-presidente, afirmando que não apoia qualquer tentativa de fraude em concurso público e cobrou explicações do prefeito do Recife, João Campos, diante do escândalo envolvendo a nomeação de um procurador municipal.
A manifestação ocorre em um momento de forte tensão política na capital, com pedido de impeachment protocolado na Câmara Municipal.
Em pronunciamento, o vice-presidente estadual do PT, Pedro Alcântara, classificou como “inadmissível” o silêncio do prefeito após a ampla repercussão do caso. Segundo ele, a ausência de explicações públicas durante tanto tempo transmite desdém à população e compromete a confiança nas instituições.
“O dono do Recife é o povo. E o povo exige e merece explicações”, afirmou.
O dirigente petista ressaltou que o episódio “põe em xeque a credibilidade de concursos públicos”, além de levantar questionamentos sobre a atuação da Prefeitura, da Procuradoria-Geral do Município e a relação entre os Poderes.
Alcântara citou exemplos de líderes que se manifestaram diante de crises — como o presidente da República e a governadora do Estado — para defender que a transparência é um dever democrático.
No Legislativo municipal, vereadores do PT — Kari Santos, Liane Cirne e Osmar Ricardo — acompanham o caso em meio ao avanço do pedido de impeachment. A iniciativa é liderada pelo vereador Eduardo Moura, do Partido Novo, e já reúne apoio de onze parlamentares da oposição; para admissão formal do processo, faltam duas assinaturas.
De acordo com a oposição, apesar de decisões técnicas anteriores contrárias, o caso foi encaminhado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, ocupante de cargo comissionado indicado pelo prefeito. Em 20 de dezembro de 2025, ele teria revertido as decisões e aceitado a requalificação de Lucas Vieira; três dias depois, em 23 de dezembro, a nomeação foi oficializada. O pedido sustenta que o prefeito incorreu em crimes de responsabilidade previstos nos artigos 57 (incisos III e V) e 59 (incisos VII, VIII e X) da Lei Orgânica Municipal, por supostos atentados à probidade administrativa e ao cumprimento da lei.
Eduardo Moura também questiona o timing da nomeação: a vaga estaria aberta desde 2 de outubro de 2025, após aposentadoria na carreira, mas só foi preenchida no fim de dezembro, após a requalificação contestada. O vereador pede investigação por possível favorecimento, lembrando que Lucas Vieira é filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco e de um magistrado que atuou em processos sensíveis envolvendo a gestão municipal, anulando, segundo fontes, investigações de corrupção na prefeitura envolvendo mais de 300 milhões.
No discurso, Moura citou ainda o artigo 319 do Código Penal (prevaricação), argumentando que, se ficar caracterizado interesse pessoal na nomeação, a conduta deve ser apurada. O pedido de impeachment foi elaborado pelo núcleo jurídico do gabinete do vereador, com apoio de assessorias parlamentares e do Partido Novo. Segundo ele, a pressão popular levou ao recuo da nomeação e deve continuar para que o processo avance.
Através de declarações públicas, membros do PT afirmam que o partido “tem uma história de lutas que se confunde com a história de Pernambuco” e que não será conivente em um momento crucial. Um assessor partidário destacou que a legenda sempre defendeu a meritocracia e a correção de desigualdades educacionais por meio de políticas afirmativas, avaliando que o episódio “vai de encontro a tudo o que defendemos”.
Até o momento, a Prefeitura do Recife não apresentou manifestação detalhada sobre os pontos levantados pela oposição e pelo PT. A expectativa é que o tema siga no centro do debate político local nos próximos dias, com desdobramentos na Câmara e eventual apuração por órgãos de controle.
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