O gestor municipal falou sobre o escândalo envolvendo a nomeação de um candidato filho de um juiz do TJPE e que tem como mãe uma procuradora do TCE-PE.
03 de janeiro de 2026 às 20:32 - Atualizado às 20:55
João Campos, prefeito do Recife Foto: Vanessa Alcantara
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), não reconheceu erro ao se pronunciar na noite da quinta-feira, 1º de janeiro, sobre o caso do concurso público para procurador do município.
Ele participou da primeira missa do ano de 2026 no Santuário do Morro da Conceição, portanto, diante de Nossa Senhora e no templo religioso não admitiu ter existido erros.
Na declaração, João Campos afirmou que não houve mudança de notas, alteração de ordem de classificação ou interferência por sobrenome, parentesco ou vínculos familiares. Também sustentou que todas as decisões teriam sido “técnicas”, baseadas em laudos e no direito ao recurso administrativo. Em nenhum momento, porém, admitiu equívoco, pediu desculpas ou reconheceu excepcionalidade indevida no procedimento adotado.
Críticos observam que o núcleo do problema não é a nota, mas o rito administrativo: a reclassificação de um candidato para a lista PCD anos após a homologação do concurso, seguida de nomeação imediata. A ausência de explicações sobre o timing dos atos — por que a vaga permaneceu aberta por meses e por que decisões anteriores foram revertidas apenas no fim do ano — reforçou a leitura de que a gestão optou por minimizar a crise em vez de esclarecê-la.
Especialistas em Direito Administrativo destacam que a invocação genérica de “decisão técnica” não afasta a responsabilidade política da autoridade que decide, sobretudo quando não há apresentação pública de documentos, pareceres e despachos que permitam verificação independente. A declaração também não enfrentou o conflito de interesses percebido pela opinião pública, ponto considerado central para a confiança social.
O prefeito não tocou na coincidência do candidato beneficiado ser filho de um Juiz que havia anulado, segundo fontes, uma investigação de Corrupção sobre mais de 300 milhões na Prefeitura e nem o fato de também ser filho de uma Procuradora que julga os contas da Gestão.
A opção por não reconhecer erro algum mantém o caso aberto no plano político e institucional. Em crises dessa natureza, analistas apontam que a admissão de falhas procedimentais costuma abrir caminho para auditoria independente, correção de rumos e recomposição de confiança. Ao sustentar que “não houve erro”, a gestão assume o risco de prolongar o desgaste e de intensificar a contestação.
Para setores da sociedade civil e da oposição, a fala noturna — sem coletiva formal, sem documentos e sem anúncio de medidas concretas de transparência — não encerra a controvérsia. Ao contrário, reforça a percepção de que regras podem ser flexibilizadas em situações sensíveis, ampliando a desconfiança sobre concursos públicos como instrumento legítimo de ascensão social pelo mérito.
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