Suape lança programa de prevenção ao assédio contra mulheres. (Foto: Divulgação/ Suape)
O Complexo Industrial Portuário de Suape lançou, nesta quarta-feira, 28 de outubro, um programa voltado à prevenção do assédio no ambiente de trabalho e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
A iniciativa foi apresentada durante as comemorações do Dia do Servidor Público e será desenvolvida em parceria com a organização Livre de Assédio, que realiza pela primeira vez um projeto dessa natureza com um porto público brasileiro.
A proposta busca fortalecer a segurança no ambiente profissional, ampliar a conscientização sobre comportamentos abusivos e preparar as equipes para reconhecer e acolher mulheres que enfrentam situações de violência doméstica.
O programa envolverá diferentes níveis da estrutura organizacional da estatal portuária, com ações direcionadas tanto à prevenção quanto ao atendimento responsável de possíveis vítimas.
A iniciativa será conduzida pela CEO da Livre de Assédio, Ana Addobbati, em articulação com a presidência de Suape e a área de Recursos Humanos.
Entre as medidas previstas estão o diagnóstico organizacional, a capacitação de lideranças e colaboradores, atividades relacionadas à segurança psicológica e sessões de escuta estratégica.
O lançamento ocorreu em um ano importante para as políticas de enfrentamento à violência de gênero no país. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos, consolidada como um dos principais instrumentos legais de prevenção e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Além de trabalhar a prevenção ao assédio dentro da empresa, o programa pretende ampliar a atenção a situações de violência que acontecem fora do ambiente corporativo, mas afetam diretamente a vida das funcionárias.
Para isso, os profissionais receberão orientações para identificar sinais de violência doméstica e oferecer encaminhamento e acolhimento conforme protocolos adequados de atendimento. A medida busca preparar a organização para lidar com situações que exigem cuidado, discrição e responsabilidade.
O diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, afirmou que a iniciativa faz parte do esforço para consolidar um ambiente profissional baseado no respeito e na segurança.
“Estamos avançando na construção de um ambiente de trabalho no qual respeito e segurança sejam compromissos permanentes. A parceria também amplia nossa responsabilidade ao preparar as equipes para acolher mulheres que eventualmente enfrentem situações de violência doméstica”, declarou.
Segundo o dirigente, o programa reúne aspectos relacionados à gestão de pessoas, à responsabilidade social e ao cuidado com os trabalhadores do complexo.
O diretor de Administração e Finanças de Suape, Marcos Gesteira, também destacou a importância da informação e da preparação das equipes para identificar situações de assédio e outras condutas inadequadas.
De acordo com ele, a capacitação de lideranças e colaboradores deve contribuir para a prevenção de comportamentos abusivos e para a oferta de acolhimento responsável às mulheres que precisem de apoio.
Ao término das etapas de diagnóstico, capacitação e escuta, o programa prevê a realização de um webinário e a disponibilização de um guia de boas práticas.
A iniciativa também será integrada à agenda ESG da estatal, que reúne compromissos relacionados às áreas ambiental, social e de governança, e às ações de prevenção de riscos psicossociais no trabalho.
Para Ana Addobbati, a adoção do programa por uma empresa pública do setor portuário representa uma oportunidade de ampliar práticas de prevenção e acolhimento no ambiente corporativo.
A CEO da Livre de Assédio ressaltou que a segurança psicológica, a inclusão e a preparação das lideranças precisam fazer parte das estratégias das organizações. Na avaliação dela, ambientes profissionais seguros estão relacionados à sustentabilidade, à inovação e ao desempenho das empresas.
A executiva acrescentou que a iniciativa dialoga com o avanço das políticas de prevenção e gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho, tema incorporado à agenda de saúde e segurança ocupacional e à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
O lançamento também ocorre em um contexto de persistência da violência contra as mulheres no país, apesar da redução dos registros de feminicídio nos primeiros sete meses de 2026.
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), consolidados pelo Ministério da Justiça e pelo Ministério das Mulheres e divulgados em agosto deste ano, apontam que o Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho. No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 876 vítimas, uma redução de 3,2%.
No Nordeste, o número passou de 257 para 220 vítimas, queda de 14,4%. Em Pernambuco, foram registrados 45 feminicídios nos sete primeiros meses de 2026, diante de 57 ocorrências no mesmo intervalo do ano anterior.
Embora os números indiquem uma redução, os registros evidenciam a continuidade do problema e a necessidade de ações de prevenção e acolhimento.
Nesse cenário, a iniciativa de Suape pretende contribuir para que o ambiente corporativo também participe dos esforços de identificação de situações de violência, orientação e proteção às mulheres.
Com a implementação do programa, o complexo portuário busca incorporar a prevenção ao assédio e o enfrentamento à violência de gênero às suas práticas de gestão, ampliando a preparação das equipes para lidar com essas questões dentro e fora do trabalho.
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