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Suape inicia estudos para fornecer energia renovável a navios atracados

A tecnologia permite que embarcações compatíveis se conectem à infraestrutura elétrica em terra e desliguem seus motores auxiliares durante a permanência no porto.

Ricardo Lélis

17 de agosto de 2026 às 21:55   - Atualizado às 21:55

Suape estuda fornecimento de energia renovável.

Suape estuda fornecimento de energia renovável. Foto: Gerada por inteligência artificial

O Complexo Industrial Portuário de Suape iniciou uma nova etapa de estudos para avaliar a implantação de um sistema de fornecimento de energia renovável aos navios atracados.

Conhecida como Onshore Power Supply (OPS), a tecnologia permite que embarcações compatíveis se conectem à infraestrutura elétrica em terra e desliguem seus motores auxiliares durante a permanência no porto.

O suprimento deverá utilizar energia proveniente de fontes renováveis, com mecanismos de comprovação e rastreabilidade de origem a serem definidos na estruturação do projeto.

Mesmo atracados, os navios precisam gerar energia para manter iluminação, refrigeração, ventilação, comunicação e outros sistemas essenciais.

Atualmente, essa demanda é normalmente atendida por geradores de bordo movidos a combustíveis fósseis.

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Com o OPS, a eletricidade fornecida em terra poderá substituir essa geração, contribuindo para reduzir emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes, além de diminuir ruídos e vibrações nas áreas operacionais.

“Estamos preparando Suape para acompanhar as mudanças que já estão ocorrendo na navegação mundial. O estudo vai nos permitir avaliar a viabilidade do projeto e planejar a infraestrutura necessária para oferecer esse serviço no futuro, conciliando eficiência das operações e redução de emissões”, afirma o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto.

Os estudos vão avaliar a demanda energética dos navios que operam em Suape, o tempo médio de permanência para operação de carga e descarga, a compatibilidade das embarcações e as adaptações necessárias nos berços e na rede elétrica.

Também serão analisados investimentos, modelo econômico, possibilidades de parceria e uma eventual implantação por etapas, acompanhando a demanda das linhas de navegação. Entre as estruturas que poderão ser necessárias estão subestações, sistemas de transformação e controle, pontos de conexão e cabos de alta capacidade.

“O OPS permite substituir, durante a atracação, a geração de energia a bordo por eletricidade fornecida pelo porto. Estamos aprofundando os estudos para identificar a solução mais adequada às características de Suape e dimensionar sua implantação, considerando aspectos técnicos, ambientais e econômicos”, explica o diretor de Sustentabilidade e Inovação, Sóstenes Alcoforado.

Estudo da Antaq 

O Diagnóstico sobre Descarbonização no Setor Portuário, que aborda a adequação dos portos brasileiros para a recepção de embarcações com combustível verde, produção de energia eólica, eletrificação de equipamentos e sistemas OPS, aponta desafios para a expansão dessa tecnologia no país.

Entre eles estão a necessidade de infraestrutura elétrica capaz de atender diferentes potências e frequências, os custos de implantação, a adaptação física dos píeres e a demanda ainda reduzida por parte das embarcações de grande porte. 

Elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em 2025, o documento indica que a preparação prévia da infraestrutura pode ser uma oportunidade estratégica para os portos brasileiros, especialmente diante do potencial nacional de geração de energia renovável.

Exemplos

Na Europa, a tecnologia já faz parte da infraestrutura de grandes portos. Hamburgo, na Alemanha, fornece energia de fontes renováveis a navios atracados e mantém sistemas destinados a embarcações de cruzeiro e porta-contêineres; a primeira instalação entrou em operação em 2016.

Já em Roterdã, nos Países Baixos, o OPS também está em expansão, com um projeto para equipar três terminais de contêineres de longo curso, abrangendo oito quilômetros de cais e 35 pontos de conexão. 

A tecnologia ainda é incipiente para navios de grande porte no Brasil. Em Suape, a conclusão dos estudos permitirá definir a configuração mais adequada, os berços prioritários, os investimentos necessários, as possibilidades de parceria e o cronograma para implantação.

A iniciativa integra as ações de transição energética e descarbonização do complexo e busca preparar a infraestrutura portuária para novas exigências ambientais e operacionais da navegação internacional

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