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Prefeitura do Recife desapropria boxes no Mercado do Peixe para concessão à iniciativa privada

A decisão gerou preocupação entre comerciantes que atuam no local há décadas. Barraqueiros afirmam que os valores apresentados pela prefeitura para indenização são baixos

Romildo Lacerda

22 de maio de 2026 às 18:35   - Atualizado às 18:36

Mercado do Peixe em Brasília Teimosa

Mercado do Peixe em Brasília Teimosa Foto: Divulgação

A recife/">Prefeitura do Recife oficializou, por meio de decreto publicado no Diário Oficial no último sábado, 16 de maio, a desapropriação das benfeitorias existentes no entorno do Mercado do Peixe, localizado entre os bairros do Pina e Brasília Teimosa, na Zona Sul da capital pernambucana.

A medida faz parte do projeto de requalificação da área, que prevê a ampliação do equipamento público e uma futura concessão à iniciativa privada dentro da PPP da Orla Parque. Segundo o decreto, a desapropriação envolve estruturas instaladas entre a Rua Comendador Morais e a Rua Bem-te-vi, em uma área de aproximadamente 1.782 metros quadrados.

A decisão gerou preocupação entre comerciantes que atuam no local há décadas. Barraqueiros e peixeiros afirmam que os valores apresentados pela prefeitura do Recife para indenização são baixos e reclamam da falta de garantias sobre continuidade do trabalho após a intervenção.

Um dos comerciantes afetados é Valmir da Cruz, que trabalha há mais de 25 anos na área e diz ter recebido proposta de cerca de R$ 9 mil pela estrutura do seu negócio.

Somos filhos de pescadores e fundadores de Brasília Teimosa. Querem retirar a gente para colocar restaurantes de fora. Tem gente adoecendo sem saber onde vai trabalhar”, afirmou.

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Atualmente, 13 barraqueiros ocupam o entorno do Mercado do Peixe. A prefeitura propôs transferi-los para boxes no Pátio da Feira de Brasília Teimosa, localizado na Praça Abelardo Baltar. A alternativa, porém, não agradou aos trabalhadores.

João Henrique Rezende, que atua há 35 anos no local, questiona a viabilidade da mudança. Segundo ele, o espaço indicado não possui fluxo suficiente de clientes.

Lá fecha cedo e quase não tem movimento. Como vamos sobreviver vendendo petiscos?”, questionou o comerciante, que recebeu proposta de indenização de R$ 20 mil.

Os permissionários defendem que a revitalização seja feita com participação dos trabalhadores tradicionais da comunidade. Eles pedem espaço garantido no novo projeto turístico previsto para a área.

A insegurança também atinge comerciantes que atuam dentro do Mercado do Peixe. Diego Albuquerque, um dos 16 trabalhadores do interior do equipamento, afirma que ainda não há clareza sobre o futuro dos permissionários após a concessão.

“Quem está dentro do mercado não vai receber indenização. A gente não sabe se terá espaço para continuar trabalhando aqui”, relatou.

Segundo ele, por possuir também um box no entorno do mercado, foi apresentada uma proposta de R$ 57 mil, mas o valor não foi aceito.

Os comerciantes ainda afirmam que a prefeitura não informou quando os pagamentos das indenizações serão realizados. De acordo com os relatos, documentos chegaram a ser assinados, mas sem entrega de comprovantes ou detalhes sobre o cronograma do processo.

O projeto da Orla Parque prevê a concessão dos 11 km de orla do Recife à iniciativa privada por 25 anos. De acordo com a prefeitura, o novo Mercado do Peixe terá "grande porte" e será elaborado para se transformar em um novo polo cultural do Recife, "permitindo a integração dos usuários com a frente de água".

Para o novo equipamento, estão previstos uma praça de apresentação, 18 boxes de conveniência, 13 boxes gastronômicos e uma área de alimentação com terraço sombreado. A nova estrutura também contará com uma área técnica e parte administrativa de almoxarifado e vestiário, além de área de estacionamento.

Por meio de nota, a Prefeitura do Recife disse que os 16 permissionários que atuam no Mercado do Peixe terão "espaço garantido" no equipamento público revitalizado. Segundo a gestão municipal, a saída deles do local acontece para viabilizar as obras, que incluem a construção de "dois reservatórios de abastecimento de água" na área do atual mercado.

"Em relação aos 13 imóveis do entorno que passam por desapropriação, a gestão municipal esclarece que nenhum dos ocupantes possui titularidade formal sobre os imóveis. Por isso, cada um recebeu um valor fixo de R$ 9,7 mil a título de lucro cessante, acrescido de um valor variável referente às benfeitorias realizadas no local", diz o posicionamento.

De acordo com a prefeitura, as indenizações são calculadas individualmente, levando em conta fatores como documentação legal, área construída e melhorias feitas pelos ocupantes. 

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