Exame. (Foto: Divulgação)
Pernambuco registrou aumento nas notificações de sífilis adquirida e de sífilis em gestantes em 2025, enquanto os casos de sífilis congênita apresentaram uma leve redução.
Os dados constam no Boletim Epidemiológico da Sífilis 2026, elaborado pela Gerência do Programa Estadual de IST, Aids e Hepatites Virais, da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE).
O levantamento reforça a importância da prevenção, da testagem e do tratamento oportuno para interromper a transmissão da infecção, especialmente durante a gestação.
O alerta ganha destaque durante o Outubro Verde, período dedicado à conscientização sobre a sífilis e a sífilis congênita. Neste sábado (17), também é celebrado o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita.
De acordo com o boletim, o estado contabilizou 11.769 casos de sífilis adquirida em 2025, ante 10.950 notificações em 2024. O número representa um aumento de aproximadamente 7,5% em um ano.
Entre as gestantes, os registros passaram de 4.692, em 2024, para 5.063, em 2025, crescimento de cerca de 7,9%. Já os casos de sífilis congênita diminuíram de 1.640 para 1.576 no mesmo intervalo, uma redução de aproximadamente 3,9%.
Os dados foram atualizados em 31 de agosto de 2026 e estão sujeitos a alterações.
Os indicadores de 2025 também apontam uma taxa de detecção de 123 casos de sífilis adquirida por 100 mil habitantes. Entre gestantes, a taxa foi de 44,8 casos por mil nascidos vivos. Para a sífilis congênita, a incidência chegou a 14 casos por mil nascidos vivos.
Segundo a gerente do Programa Estadual de IST, Aids e Hepatites Virais de Pernambuco, Grazielle Vasconcelos, os números reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção, testagem e assistência à população.
A gestora destaca que a sífilis tem cura, mas pode permanecer sem sintomas por períodos prolongados. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a infecção pode provocar complicações e continuar sendo transmitida a outras pessoas.
Na gestação, identificar a doença precocemente e iniciar o tratamento correto são medidas essenciais para reduzir o risco de transmissão da bactéria para o bebê.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão ocorre principalmente durante relações sexuais vaginais, anais ou orais sem preservativo, por meio do contato direto com lesões infecciosas. Também pode acontecer da gestante para a criança durante a gravidez ou no parto.
Entre as medidas recomendadas para prevenir a infecção estão o uso de preservativos internos ou externos, a realização de testes e a procura por atendimento de saúde após uma possível exposição, mesmo quando não há sintomas.
Os testes rápidos para sífilis são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive nas unidades de Atenção Primária à Saúde (APS).
O tratamento é realizado com antibióticos, conforme avaliação e indicação dos profissionais de saúde. As parcerias sexuais também devem ser avaliadas e tratadas quando necessário, para reduzir o risco de reinfecção e interromper a cadeia de transmissão.
A cura não garante imunidade. Por isso, uma pessoa que já recebeu tratamento pode contrair sífilis novamente caso seja exposta à bactéria.
A análise dos casos de sífilis adquirida entre 2021 e 2025 mostra maior concentração de notificações entre adultos jovens. Pessoas de 20 a 29 anos representam 33,2% dos registros, enquanto a faixa etária de 30 a 39 anos corresponde a 23,3%.
O boletim também aponta diferenças na distribuição por sexo. Os homens representam 64,7% das notificações, enquanto as mulheres correspondem a 35,3%. Em relação à raça ou cor, pessoas pardas concentram 72,4% dos registros.
De acordo com Grazielle Vasconcelos, a possibilidade de a infecção permanecer assintomática é um dos principais desafios para o controle da doença.
Quando aparecem, os sinais podem incluir feridas geralmente indolores, manchas na pele e outras manifestações, que variam conforme o estágio da infecção.
A ausência de sintomas, portanto, não significa que a pessoa esteja livre da doença. A testagem é fundamental para identificar a infecção e permitir o início do tratamento.
Entre as gestantes diagnosticadas com sífilis em Pernambuco no período de 2021 a 2025, 58,7% dos registros ocorreram na faixa etária de 20 a 29 anos. Adolescentes de 15 a 19 anos representaram 20,2% dos casos.
A sífilis congênita acontece quando a bactéria é transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez ou no parto. O risco aumenta quando a infecção não é tratada ou quando o tratamento é inadequado.
A doença pode causar aborto espontâneo, parto prematuro, natimortalidade, alterações ósseas, problemas de visão e audição e outras complicações graves, inclusive a morte do recém-nascido. Além disso, alguns bebês podem nascer sem sinais aparentes da infecção, o que torna o acompanhamento clínico indispensável.
Para prevenir a transmissão, a SES-PE orienta que o pré-natal seja iniciado assim que a gravidez for identificada. Também é necessário realizar os testes para sífilis durante o acompanhamento e repetir a testagem nos períodos recomendados pelos protocolos de saúde.
Quando há diagnóstico, o tratamento deve começar o mais cedo possível, com acompanhamento da equipe responsável. As parcerias sexuais também precisam ser avaliadas, testadas e tratadas conforme indicação profissional, evitando uma nova infecção durante a gestação.
A campanha Outubro Verde reforça, assim, a importância de ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde. A realização de testes, o tratamento adequado e o acompanhamento pré-natal são medidas fundamentais para reduzir a transmissão da sífilis e proteger a saúde de gestantes e crianças em Pernambuco.
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CTTU prevê bloqueios e operações especiais na Boa Vista, no Centro e em Boa Viagem neste fim de semana.
Programa Segue Cuidando atende cerca de 190 usuários por mês e realiza aproximadamente 5 mil viagens para unidades de saúde da Região Metropolitana do Recife.
Os profissionais contratados terão jornadas de 30 a 40 horas semanais, conforme o cargo. Os contratos terão duração inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação por igual período.
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