Sede da Prefeitura do Recife. Foto: Bruno Vila Nova/Portal de Prefeitura
A Prefeitura do Recife já contabiliza R$ 67,53 milhões em gastos com publicidade e propaganda em 2026, considerando os pagamentos registrados até 15 de agosto. O dado faz parte de um levantamento realizado pelo jornalista Manoel Medeiros, com base em informações disponíveis no Portal da Transparência do município.
O volume de recursos chama atenção quando comparado ao montante destinado, no mesmo intervalo, à ação de Urbanização de Áreas de Risco. De acordo com o levantamento, foram aproximadamente R$ 31 milhões pagos para essa finalidade entre janeiro e 15 de agosto.
Na comparação direta, os gastos com publicidade no Recife representam mais do que o dobro do valor registrado na ação voltada às áreas de risco.
Os números foram levantados em um momento em que o país já está no período eleitoral de 2026, o que aumenta a atenção sobre despesas de comunicação realizadas por administrações públicas.
A apuração também aponta crescimento das despesas de publicidade quando comparadas ao mesmo período de 2025.
Segundo os dados apresentados no levantamento, o valor registrado até 15 de agosto deste ano está cerca de 29% acima do montante contabilizado no mesmo intervalo do ano passado.
Em todo o ano de 2025, os gastos municipais com publicidade e marketing chegaram a aproximadamente R$ 80 milhões, conforme os dados citados no levantamento.
Se o ritmo de pagamentos observado até agosto permanecer durante os próximos meses, a despesa anual de 2026 poderá ultrapassar esse patamar.
Essa projeção, entretanto, não representa necessariamente o valor que será efetivamente gasto até dezembro, já que a execução orçamentária pode mudar ao longo do exercício.
Um dos pontos destacados na apuração está relacionado às despesas da Secretaria de Turismo e Lazer.
A rubrica denominada “Promoção, Estruturação e Fortalecimento Turístico do Destino Recife” registrou cerca de R$ 22,3 milhões em despesas em 2026, segundo os dados apresentados.
No mesmo período de 2025, o levantamento aponta aproximadamente R$ 2,3 milhões nessa classificação. A diferença representa um aumento significativo dos recursos direcionados à promoção turística da capital pernambucana.
Entre as iniciativas de divulgação está a campanha “Recife, faz gosto mostrar pro mundo”, criada para promover a cidade como destino turístico.
A utilização dos recursos e a abrangência das campanhas podem ser analisadas a partir dos contratos, serviços executados e objetivos estabelecidos pela administração municipal.
A diferença entre os valores destinados à publicidade e aqueles pagos na ação de urbanização de áreas de risco é um dos principais pontos apresentados pelo levantamento.
Enquanto os gastos com publicidade chegaram a R$ 67,53 milhões até 15 de agosto, os pagamentos relacionados à urbanização de áreas de risco ficaram em aproximadamente R$ 31 milhões no mesmo período.
Isso significa uma diferença de cerca de R$ 36,5 milhões entre as duas despesas.
A comparação, porém, precisa ser interpretada considerando que se trata de ações orçamentárias distintas, com objetivos, contratos e cronogramas próprios. O valor gasto em uma área não determina automaticamente a necessidade ou a insuficiência de recursos em outra.
O crescimento das despesas de comunicação ocorre durante um ano eleitoral, quando campanhas realizadas por governos passam a ser observadas com maior atenção.
A publicidade institucional possui finalidade pública e pode ser utilizada para divulgar serviços, programas, ações e informações de interesse da população. Ao mesmo tempo, a legislação eleitoral estabelece regras específicas para impedir o uso da estrutura pública com finalidade de promoção pessoal ou favorecimento de candidaturas.
Por isso, a análise de eventual irregularidade não pode ser feita apenas pelo valor desembolsado. É necessário verificar também o conteúdo das campanhas, os contratos, a finalidade das peças publicitárias e a legislação aplicável.
Os dados do Portal da Transparência, por si só, demonstram a execução das despesas, mas não constituem prova de irregularidade.
A apuração de Manoel Medeiros coloca em evidência a evolução dos gastos municipais com comunicação e permite comparar a execução dessa despesa com outras áreas da administração.
Para uma análise mais ampla, ainda podem ser considerados os contratos firmados com as agências de publicidade, os valores empenhados e pagos, os serviços contratados e o conteúdo das campanhas divulgadas pela Prefeitura.
Também é importante diferenciar valor empenhado, liquidado e efetivamente pago, já que cada estágio representa uma etapa diferente da execução da despesa pública.
A partir desses dados, o acompanhamento da execução orçamentária ao longo dos próximos meses poderá mostrar se o ritmo registrado até agosto será mantido até o final de 2026.
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