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Entre o forró e a fome: São João de Solidão em Pernambuco tem shows caros e população carente

Com pouco mais de 6 mil habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de apenas 0,585, classificado como baixo pelo IBGE.

Portal de Prefeitura

03 de junho de 2025 às 17:50   - Atualizado às 18:13

A pequena cidade de Solidão, localizada no Sertão de Pernambuco, se prepara para celebrar o São João de 2025 com grandes nomes da música nordestina

A pequena cidade de Solidão, localizada no Sertão de Pernambuco, se prepara para celebrar o São João de 2025 com grandes nomes da música nordestina Foto Montagem/Portal de Prefeitura

A pequena cidade de Solidão, localizada no Sertão de Pernambuco, se prepara para celebrar o São João de 2025 com grandes nomes da música nordestina — mas o alto custo das festividades tem gerado debates sobre prioridades em um dos municípios mais carentes do estado.

Com pouco mais de 6 mil habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de apenas 0,585, classificado como baixo pelo IBGE, Solidão enfrenta sérios desafios nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. Ainda assim, a prefeitura confirmou o investimento de R$ 460 mil em cachês para quatro atrações musicais: Banda Encantus (R$ 150 mil), Fulô de Mandacaru (R$ 150 mil), Carta de Baralho (R$ 100 mil) e Ruam Forrozeiro (R$ 60 mil).

O valor chama atenção diante da realidade do município. O PIB per capita de Solidão é de apenas R$ 9.390,24, bem abaixo da média estadual. A taxa de mortalidade infantil, por sua vez, é de 26,67 óbitos por mil nascidos vivos, uma das mais preocupantes da região. Em um cenário como esse, o alto investimento em festas juninas reacende o debate sobre o uso responsável dos recursos públicos.

Embora o São João seja uma tradição profundamente enraizada na cultura nordestina — com potencial para impulsionar o turismo e movimentar o comércio local — especialistas em gestão pública alertam para a necessidade de equilíbrio entre cultura e urgência social. Em cidades como Solidão, onde falta acesso a serviços básicos de saúde e saneamento, a destinação de verbas para grandes eventos pode parecer desconectada da realidade da população.

É legítimo celebrar a cultura, mas também é urgente cuidar das pessoas. A responsabilidade do poder público vai além da promoção de festas: é preciso investir em qualidade de vida, geração de renda e inclusão social.

A cidade de Solidão, que tem nome poético e realidade dura, vive hoje o dilema de muitos municípios do interior brasileiro: como celebrar o São João sem esquecer os que enfrentam a fome, a falta de remédios e escolas sem estrutura?

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