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Estudante brasileiro tem dois dedos amputados em escola portuguesa

Caso de bullying violento em Cinfães revolta redes sociais e expõe falhas no combate à violência escolar contra criança de 9 anos.

Beto Dantas

16 de novembro de 2025 às 11:31

Nívia Estevam e José Lucas após o acidente.

Nívia Estevam e José Lucas após o acidente. Foto: Acervo Pessoal

Segundo informações obtidas pelo site Pleno News, um estudante brasileiro de nove anos teve dois dedos amputados após sofrer um violento episódio de bullying numa escola de Cinfães, centro de Portugal. O incidente ocorreu nesta segunda-feira (10) na Escola Básica da Frente Coberta, localizada aproximadamente 130 quilómetros do Porto, e foi amplamente divulgado nas redes sociais pela mãe do menino, Nívia Estevam.

Segundo relatos familiares, alunos da instituição prenderam a mão do jovem José Lucas numa porta, impossibilitando qualquer reação. Testemunhas indicam que os agressores pressionaram a porta até provocar a amputação, obrigando a vítima a arrastar-se para pedir socorro. Posteriormente, funcionárias da escola procederam aos primeiros socorros, estancando o sangue, aplicando gelo e contactando a família.

A mãe revelou que o filho já era alvo constante de bullying por ser brasileiro, negro e estar acima do peso, tendo sofrido anteriormente agressões como puxões de cabelo, pontapés e marcas no pescoço. A direção da escola terá minimizado sistematicamente estas ocorrências, atribuindo-as a "brincadeiras" e alegando que "crianças mentem".

Contexto de violência contra brasileiros

Este caso emblemático ocorre em um contexto de crescente preocupação com a discriminação contra imigrantes brasileiros em Portugal. De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna de 2023, os crimes de discriminação racial no país aumentaram 32% em comparação com 2022, sendo a comunidade brasileira uma das mais afetadas. O Observatório da Imigração destaca que queixas por xenofobia em ambientes escolares tiveram crescimento significativo, com cerca de 15% dos casos envolvendo crianças imigrantes. Embora dados específicos sobre brasileiros não sejam divulgados separadamente, organizações como a Associação Brasileira de Imigrantes em Portugal (ABRIP) relatam receber mensalmente denúncias de bullying motivado por origem nacional.

Desfecho médico e jurídico

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Após o grave incidente, José Lucas submeteu-se a uma cirurgia de três horas, mas os dedos não puderam ser reimplantados. Partes de um dedo foram utilizadas para cobrir uma área com exposição óssea, tendo o menino perdido parte do dedo indicador e do dedo maior. Ele recebeu alta após um dia de internamento.

Entretanto, a direção da escola abriu um inquérito interno e comunicou o caso à polícia portuguesa. A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Portugal também iniciou uma investigação independente, designando uma assistente social para acompanhar o caso. O Ministério da Educação português ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido.

A família, representada por uma advogada, pretende acionar judicialmente a instituição de ensino, buscando responsabilização pelo trauma físico e psicológico sofrido pelo menor. Este processo judicial poderá estabelecer um precedente importante para a proteção de crianças imigrantes no sistema educacional português.

 

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