Bolsonaro com Pastores Foto Reprodução X
No próximo domingo, 29 de junho, a Avenida Paulista será palco de um novo ato em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, agora com um claro viés de contestação às condenações envolvendo os atos de 8 de janeiro de 2023. A mobilização, capitaneada por um grupo de dez líderes evangélicos influentes, promete reunir milhares de pessoas em defesa daqueles que classificam como vítimas de “injustiças jurídicas”.
Pastores e bispos como Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), o apóstolo Estevam Hernandes (Renascer em Cristo), César Augusto (Fonte da Vida), Renê Terra Nova (Internacional da Restauração), além de Ezequiel Teixeira, Robson Rodovalho, Abner Ferreira, Samuel Câmara, Téo Hayashi e Jorge Linhares, divulgam um vídeo convocando fiéis ao evento. Somados, esses líderes religiosos somam mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais, conferindo grande alcance ao movimento.
No vídeo, Malafaia é a voz principal, afirmando que é "inadmissível ver pessoas sendo punidas de forma tão severa e injusta" e convocando apoio popular. A pauta central do encontro é clara: exigir a revisão das condenações apresentadas como “injustas” e denunciar aquilo que caracterizam como “perseguição jurídica”.
Os organizadores acusam o sistema judicial de aplicar penas desproporcionais e abusivas. A presença de Bolsonaro no ato reforça essa narrativa, transformando-o no símbolo de resistência frente a um suposto cerceamento judicial. A estratégia se repete: usar líderes religiosos como canais de comunicação e mobilização, costurando narrativas que remetem a uma “causa moral”, mais do que política.
Fontes indicam que Silas Malafaia bancará grande parte das despesas do evento — que promete contar com trios elétricos, segurança, som e estrutura logística. Em atos anteriores, como o do último dia 25 de fevereiro, ele chegou a investir cerca de R$100 mil em estrutura, incluindo dois trios elétricos e ambulâncias
O ato de 29 de junho sucede eventos já realizados por Bolsonaro na Paulista e em Brasília: em abril, cerca de 44 mil pessoas estiveram na avenida; em maio, cerca de 4 mil em Brasília. Esse padrão demonstra que, mesmo fora do cargo, Bolsonaro mantém capacidade de mobilização populista. As lideranças evangélicas reforçam essa dinâmica, posicionando-se em uma polarização crescente entre instituições religiosas, Judiciário e esfera política.
Especialistas avaliam que o evento serve a dois propósitos estratégicos: manter o discurso de que há “perseguição política” e consolidar o eleitorado evangélico como base ativa de pressão. A mensagem central reforçada pelos organizadores — revisão das condenações — tem forte apelo emocional junto a fiéis que veem o Estado como adversário.
Reforço da polarização: o ato acentua a divisão entre a base bolsonarista/eclesiástica e instituições como o STF.
Visibilidade midiática: com a participação de Bolsonaro, o evento atrairá cobertura intensa e acirrará debates sobre a legitimidade das condenações do 8 de janeiro.
Pressão política: a articulação com parlamentares e líderes religiosos pode ser usada para sustentar futuros pedidos de anistia ou revisão judicial.
Para muitos dos líderes evangélicos envolvidos, a defesa dos réus do 8 de janeiro é apresentada como uma luta moral. No vídeo de convocação, usam termos como “injustiça”, “perseguição” e “imoralidade” para recriar a narrativa de uma cruzada pela verdade. Essa linguagem ressoa profundamente em comunidades que já se sentem parte de uma suposta guerra cultural e institucional — e que hoje ecoam, nas ruas, nas redes e na política.
A mobilização evangélica que se desenha para o próximo domingo põe em evidência um fenômeno político recente: a simbiose entre crença religiosa e ação política direta. O ato de apoio a Bolsonaro na Avenida Paulista é, portanto, um marco simbólico — e estratégico — dessa aliança que busca transformar narrativas de injustiça em uma força de pressão institucional.
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