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VENEZUELA X GUIANA: Maduro faz plebiscito neste domingo (3) e eleva tensão por CONFLITO MILITAR

03 de dezembro de 2023 às 09:42

A ditadura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, realiza neste domingo, 3 de novembro, um plebiscito sobre a anexação do Essequibo, um território que representa 70% da Guiana. A votação ampliou a tensão entre os dois vizinhos e os temores de um conflito militar na região.

O timing do plebiscito, convocado após a definição da chapa opositora que desafiará Maduro no ano que vem, indica que o ditador tenta com a votação avaliar o grau de mobilização de sua base e a adesão popular ao chavismo.

Em baixa após anos de recessão econômica e êxodo em massa, o interesse venezuelano na Guiana é também econômico e tem crescido nos últimos anos após a descoberta de petróleo na costa do país.

O plebiscito tem cinco perguntas. A principal prevê a inclusão do Essequibo como o 25.º Estado venezuelano. A isso, se seguiria um plano acelerado para atender a sua população, incluindo a concessão de cidadania venezuelana e carteiras de identidade. Cerca de 125 mil pessoas vivem na região, 12% da população da Guiana.

Estratégia

Para o analista Jesús Castellanos Vásquez, a votação vai permitir ao governo monitorar diversas métricas que são importantes para a eleição de 2024. "A votação serve como termômetro para medir a capacidade de apoio ao regime e de controle", disse Vásquez ao Estadão, se referindo à mobilização da máquina chavista.

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A consultora Eglée González-Lobato concorda. "Tendo em conta as pesquisas, que deixam em evidência o baixíssimo apoio da população, o plebiscito permite o diagnóstico da mobilização dos eleitores e mede a lealdade de governadores e prefeitos", disse

Segundo ela, a oposição mostrou uma alta mobilização nas primárias de outubro, o que preocupa os chavistas.

"A oposição demonstrou uma forma de votar em bloco, concentrado, articulado. É uma combinação ganhadora frente a um oficialismo monolítico", afirmou. "Por isso, Maduro busca atrair, com uma visão nacionalista, patriótica, o entusiasmo de um eleitorado que se afasta dele."

A disputa sobre o Essequibo ganhou contornos geopolíticos. No mês passado, militares chavistas fizeram treinamentos na fronteira, o que chamou a atenção de Brasil e EUA. Os americanos enviaram à Guiana chefes do Comando Sul para contribuir nos planos de defesa.

Preocupação

O Ministério da Defesa do Brasil intensificou a presença militar na fronteira em Roraima e afirmou que monitora a crise. O Itamaraty, por sua vez, expressou preocupação com a disputa, mas não deve se pronunciar sobre a votação.

"Do ponto de vista do Brasil, o referendo é um assunto interno da Venezuela", disse a secretária do Ministério de Relações Exteriores para América Latina e Caribe, Gisela Padovan.

Usar ameaças externas para mobilizar sua base política não é novidade para o chavismo. Desde 1999, tanto Maduro quanto seu antecessor, Hugo Chávez, denunciaram planos de Colômbia e EUA para derrubá-los. Agora, com a normalização das relações com Bogotá, governada pelo esquerdista Gustavo Petro, a Guiana é a bola da vez.

Nacionalismo

Para isso, Maduro abusa da retórica nacionalista e recorre a métodos pouco convencionais. Com músicas de reggaeton pró-governo, vídeos nas redes sociais, distribuição de mapas revisados e aulas sobre geografia transmitidas pela TV estatal, o chavismo utiliza a história para tocar o público, transformando escolas em palcos de fervor patriótico.

"O governo venezuelano está usando a cartilha nacionalista para fortalecer seu apoio, que é cada vez menor, e procurando evitar qualquer questionamento dentro das Forças Armadas e tentando dividir a oposição entre os mais pragmáticos, que consideram importante participar[NO REFERENDO], e aqueles que questionam a relevância do plebiscito", disse Kenneth Ramírez, presidente do Conselho Venezuelano de Relações Internacionais.
"O que está sendo proposto é uma emulação do que a Argentina fez ao incorporar as Malvinas, o que causou desconforto no Reino Unido, mas não mudou a situação além do simbolismo da medida", disse o cientista político venezuelano José Castillo Molleda.

No ano passado, a Rússia usou uma estratégia similar quando tentou anexar províncias de etnia russa do leste da Ucrânia em meio à guerra: plebiscitos e uma campanha em massa para formalizar a cidadania russa dos habitantes dessas regiões.

Estadão Conteúdo

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