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Psicóloga Catalina Giraldo, de 30 anos, morre após eutanásia em disputa por suicídio assistido

A mulher buscava autorização para o suicídio assistido, mas, diante da falta de regulamentação na Colômbia, optou pela eutanásia, procedimento permitido no país.

14 de julho de 2026 às 14:31   - Atualizado às 14:33

A psicóloga colombiana Catalina Giraldo Silva, de 30 anos.

A psicóloga colombiana Catalina Giraldo Silva, de 30 anos. Foto: Reprodução

| Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao fim do texto onde buscar ajuda.

A psicóloga colombiana Catalina Giraldo Silva, de 30 anos, morreu em uma clínica de Bogotá após uma longa batalha judicial para obter autorização para realizar o suicídio assistido, uma modalidade que ainda não é regulamentada na Colômbia. O caso foi divulgado pelo telejornal colombiano Noticias Caracol na última segunda-feira, 13.

Catalina morreu na quinta-feira, 9, por meio da eutanásia, procedimento permitido no país, depois de aceitar uma alternativa diferente da que havia solicitado inicialmente.

A diferença entre os dois procedimentos está em quem realiza a ação final: na eutanásia, o médico administra o medicamento que provoca a morte; no suicídio assistido, o profissional de saúde fornece a substância, mas é o próprio paciente quem a utiliza.

Diagnosticada com transtorno depressivo maior grave, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade, Catalina passou anos submetida a diferentes tratamentos. Segundo o Noticias Caracol, ela realizou cerca de 40 combinações de medicamentos, passou por nove internações psiquiátricas e por ciclos de terapia eletroconvulsiva, sem apresentar melhora significativa.

Em 2025, após considerar que havia esgotado as alternativas terapêuticas, a psicóloga solicitou à operadora de saúde Sanitas autorização para realizar o suicídio assistido. O pedido foi negado sob o argumento de que não havia regulamentação específica para o procedimento.

"Eu queria uma forma segura de fazer isso, sem precisar fazer escondida", afirmou Catalina ao Noticias Caracol. Segundo ela, a possibilidade de contar com acompanhamento médico e a presença da família representava uma forma de evitar uma morte solitária e traumática.

A defesa de Catalina, liderada pelo advogado Lucas Correa, recorreu à Justiça para tentar garantir o acesso ao procedimento O argumento era de que a ausência de regulamentação não poderia impedir um direito reconhecido pela Corte Constitucional colombiana.

Em 2022, a Corte decidiu que médicos não cometem crime ao auxiliar um paciente com sofrimento intenso causado por uma doença grave e incurável a morrer, desde que haja consentimento livre, informado e consciente. Apesar da decisão, o procedimento permaneceu sem regras claras de aplicação.

Após meses de espera e uma nova internação psiquiátrica, Catalina decidiu solicitar a eutanásia, procedimento que inicialmente havia rejeitado por entender que isso significaria abandonar sua luta pelo suicídio assistido.

"Eu não sinto que estou desistindo; sinto que estou entregando um pouco agora a responsabilidade a outros", afirmou na última entrevista concedida ao Noticias Caracol, horas antes de morrer.

Durante a conversa, a psicóloga afirmou que sua luta não era uma defesa da morte, mas uma tentativa de discutir formas de cuidado para pessoas em sofrimento extremo.

"Não é romantizar a morte; é acompanhá-la, é cuidar dela, é respeitar o processo da pessoa", disse.

Antes de morrer, Catalina pediu que seu caso servisse para ampliar o debate sobre saúde mental e o direito a uma morte digna na Colômbia. "Esta luta não termina comigo", afirmou. "Há pessoas que sofrem e que cometem suicídio todos os dias."

Segundo o Noticias Caracol, Catalina morreu acompanhada da mãe, María Ángela Silva, da irmã e de familiares. A mãe afirmou que apoiar a decisão da filha foi uma forma de reconhecer o sofrimento que ela enfrentava havia anos.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. A lista com os endereços dos Caps na cidade de São Paulo pode ser conferida aqui.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

*NOTA DA REDAÇÃO: Suicídios são um problema de saúde pública. Antes, o Estadão, assim como boa parte da mídia profissional, evitava publicar reportagens sobre o tema pelo receio de que isso servisse de incentivo. Mas, diante da alta de mortes e tentativas de suicídio nos últimos anos, inclusive de crianças e adolescentes, o Estadão passa a discutir mais o assunto. Segundo especialistas, é preciso colocar a pauta em debate, mas de modo cuidadoso, para auxiliar na prevenção. O trabalho jornalístico sobre suicídios pode oferecer esperança a pessoas em risco, assim como para suas famílias, além de reduzir estigmas e inspirar diálogos abertos e positivos. O Estadão segue as recomendações de manuais e especialistas ao relatar os casos e as explicações para o fenômeno.

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