Caminhar em jejum queima mais gordura? Foto de Arek Adeoye na Unsplash
Muitas pessoas acreditam que caminhar em jejum é o método infalível para queimar gordura rapidamente. Essa prática, popularmente chamada de aeróbico em jejum (AEJ), tem base fisiológica, mas também gera controvérsias quanto à sua efetividade para promover perda de peso e à segurança para o organismo.
Após uma noite sem ingestão alimentar, os níveis de insulina caem, favorecendo a mobilização dos ácidos graxos do tecido adiposo para uso como combustível. Com as reservas de glicogênio reduzidas, o corpo tem maior estímulo para utilizar a gordura armazenada durante o exercício, principalmente em intensidades moderadas, como a caminhada.
Embora o corpo queime uma maior proporção de gordura durante o exercício em jejum, estudos mostram que isso não necessariamente resulta em maior emagrecimento ao longo do dia ou da semana, já que o balanço calórico total é o fator chave para perda de peso.
Exercitar-se em jejum pode causar hipoglicemia, tonturas e fraqueza, especialmente em pessoas com condições médicas específicas ou que não estejam acostumadas. A perda de massa muscular é um risco quando o corpo recorre a aminoácidos para produzir energia na ausência de carboidratos.
A prática pode beneficiar indivíduos saudáveis, que estejam habituados a atividades físicas e com acompanhamento profissional. Recomenda-se que a intensidade e duração da caminhada sejam moderadas para evitar efeitos indesejados.
É fundamental realizar uma alimentação equilibrada após a caminhada para repor glicogênio, evitar perda muscular e manter o metabolismo ativo. Alimentos ricos em proteínas e carboidratos integrais são ideais nesse momento.
Alguns estudos indicam que cardios em jejum podem melhorar a sensibilidade à insulina e auxiliar no controle do açúcar no sangue, sendo uma estratégia potencial para prevenção do diabetes tipo 2 em combinação com outras medidas.
Independentemente do momento da caminhada, o emagrecimento efetivo depende do consumo menor de calorias do que o gasto diário, seja em jejum ou alimentado. O controle alimentar aliado a atividade física regular é a base para resultados duradouros.
Para treinos de maior intensidade ou longa duração, a falta de combustível imediato pode reduzir o desempenho, fazendo com que a duração e a qualidade do treino diminuam.
Pessoas com diabetes, gestantes, idosos, crianças e quem tem histórico de distúrbios alimentares devem evitar esse tipo de exercício em jejum ou somente praticá-lo com orientação médica rigorosa.
Para quem gosta da prática, caminhar em jejum pode ajudar a estabelecer disciplina, melhorar o condicionamento leve e proporcionar sensação de bem-estar, desde que feito com segurança.
A caminhada em jejum é uma ferramenta que pode ser usada com benefícios, mas deve ser inserida na rotina com cuidado, avaliação profissional e atenção aos sinais do corpo para evitar riscos e garantir saúde a longo prazo.
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