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Valentin Vacherot surpreende Djokovic em Xangai e chega à inédita final do Masters 1000

Com vitória sobre Novak Djokovic, Valentin Vacherot se torna o mais baixo ranqueado a disputar uma final de Masters 1000 na história, chocando o circuito mundial em Xangai.

Joice Gomes

11 de outubro de 2025 às 08:22

Valentin Vacherot surpreende Novak Djokovic e se classifica.

Valentin Vacherot surpreende Novak Djokovic e se classifica. Créditos: Divulgação/Reprodução/X/@atptour

Neste sábado, o universo do tênis testemunhou uma das reviravoltas mais emblemáticas dos últimos anos no Masters 1000 de Xangai. Valentin Vacherot, monegasco de 26 anos, iniciou sua jornada como um simples alternate do qualifying, sem sequer a certeza de entrar em quadra. No entanto, o destino reservava um dos capítulos mais improváveis do esporte: Vacherot superou Novak Djokovic por 6-3 e 6-4, tornando-se o finalista de mais baixo ranking na história dos torneios Masters 1000.

A vitória que abalou o favoritismo do torneio não foi apenas uma quebra de prognóstico, mas reescreveu estatísticas do circuito desde a criação da série Masters em 1990. Djokovic, dono de quatro títulos em Xangai e atual número 5 do mundo, viu-se limitado por problemas físicos evidentes, especialmente nas costas.

O contexto da vitória: drama e superação no calor de Xangai

O calor acima dos 32°C e a umidade que beirou os 80% já estavam sendo o grande desafio para todos os atletas, inclusive para Djokovic, que recentemente passou mal em outra partida do mesmo torneio. Logo no início da semifinal, visivelmente afetado fisicamente, o sérvio precisou de atendimento médico, tentando ainda manter-se competitivo com doses de analgesia.

Mas Vacherot não apenas aproveitou o momento: ele mostrou solidez nos pontos cruciais, principalmente mantendo ótimo aproveitamento do primeiro serviço (78% dos pontos com o saque). O domínio tático e a postura corajosa ofuscaram qualquer dúvida sobre sua condição de azarão.

Uma trajetória improvável até a final

  • Entrou no torneio apenas como alternate do qualifying;
  • Ganhou oito partidas consecutivas, incluindo quatro viradas após perder o set inicial;
  • Derrotou três rivais do top 20 ao longo do caminho;
  • Saltou 146 posições no ranking ATP Live, indo do 204º para o 58º lugar após a vitória sobre Djokovic.

A ascensão meteórica já havia chamado atenção após a vitória dramática sobre Holger Rune nas quartas, quando assegurou seu ingresso no Top 100. “Eu li que se vencesse, entraria no Top 100. Isso não parecia real,” confessou o monegasco, visivelmente emocionado e surpreso com o destino.

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O impacto histórico da façanha

Desde 1990, jamais um tenista com ranking tão baixo havia atingido uma final Masters 1000, ilustrando o caráter extraordinário do feito. Além disso, Vacherot se tornou apenas o sexto jogador neste século a debutar em finais do ATP Tour justamente em um evento deste porte e o primeiro desde Alejandro Davidovich Fokina, em Monte Carlo 2022.

Além dos recordes, a narrativa ganha contornos familiares: o adversário na decisão pode ser o próprio primo, Arthur Rinderknech, caso vença Daniil Medvedev, o que adicionaria um componente inédito ao desfecho do torneio.

O que explica esse fenômeno?

  • Adaptação rápida às condições de Xangai;
  • Postura agressiva e arrojada nos pontos decisivos;
  • Resistência emocional, mesmo enfrentando estádios lotados e gigantes do tênis;
  • Recuperação física após longo período afastado por lesão no ombro.

Apesar destas condições adversas, o monegasco se manteve focado, apostando em jogadas curtas, deslocando Djokovic e atacando sempre que possível.

O que dizem os especialistas

A imprensa internacional não poupou comparações, citando a campanha de Vacherot como uma das maiores zebras do século no tênis. Até analistas apontam que, em uma temporada marcada por lesões e ascensão de novos nomes, a vitória sobre Djokovic pode catalisar novas surpresas no circuito.

A força mental e o preparo físico para enfrentar as condições de Xangai, além da superação pessoal após sete meses afastado por lesão no ombro, receberam destaque em veículos especializados e nas palavras dos próprios adversários derrotados.

O próximo desafio

Na final, Vacherot terá pela frente seu maior teste. A decisão poderá consagrar de vez seu nome na história recente do tênis mundial, diante de um dos maiores da nova geração, ou contra o próprio primo. Seja qual for o desfecho, o torneio de Xangai já garantiu seu lugar entre episódios inesquecíveis da modalidade.

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